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Diversificação é o caminho
Num cenário de volatilidade alta, com inflação, juros altos e eleições presidenciais, prateleiras de produtos amplas ajudam a manter clientes

Edição 345

A sobrevivência e o crescimento das gestoras de recursos em 2021, ano de forte reversão de expectativas quanto ao nível da inflação e do juro no Brasil e no mundo - decorreram mais do que nunca de sua capacidade de diversificar para resistir. As prateleiras de produtos ficaram mais amplas e foi preciso conquistar ou consolidar nichos específicos de atuação, reforçar os times para capturar retornos diferenciados em estratégias e sub-estratégias locais e internacionais, além de investir em novas parcerias. Abriu-se caminho também para maior agressividade na distribuição dos fundos de investimento e na oferta de serviços.
Na 2ª posição entre as maiores gestoras e líder entre as casas do setor privado, a Itaú Asset Management vê um cenário de ainda maior volatilidade este ano e desafios nos mercados doméstico e internacional. Em pleno ambiente de final de governo, o quadro local é agravado por mais inflação e por novas altas de juros que podem elevar a Selic a 14%, lembra Carlos Augusto Salamonde, CEO. “A curva de juro já precifica acima do que o mercado previa e o ambiente eleitoral tende a trazer ainda maior volatilidade, mas vemos como uma boa oportunidade para novas estratégias e estamos preparados para isso porque a asset está bem balanceada para enfrentar qualquer cenário”, diz.
No quadro global, as grandes preocupações estão concentradas na inflação e no juro dos EUA, que flerta com o patamar de 3%. Somados a isso aparecem os efeitos da guerra na Ucrânia sobre a economia global. “Há o receio de uma escalada atômica, assim como o fato de que o mundo isolou a Rússia, o que tem impacto econômico, e não se vê solução rápida para essa situação. Ao mesmo tempo, a China adota novos lockdowns contra a Covid, outro fator que eleva a incerteza e a tensão internacional”, afirma. Ele avalia que as assets vencedoras serão as que estiverem melhor balanceadas ou aquelas que atuarem em nichos específicos.
A diversificação de produtos e os avanços em distribuição, agora com posições maiores fora da rede do Itaú, devem contribuir para enfrentar o cenário ainda mais volátil em 2022. Ele lembra que a renda variável está sofrendo muito este ano, o que coloca em questão a linha d’água a partir da qual será possível cobrar por essa performance. “Para as casas mais focadas nesse segmento, que já sofreram em 2021, este ano fica ainda mais desafiador porque a captação não deverá ser relevante”, analisa. Na asset, a classe de equities terá um ano difícil mas a aposta é no crescimento de captação nos demais segmentos e na capilaridade de suas estratégias.
Além de cuidar do que já tinha, com destaque para as estratégias de crédito, a casa aposta em três pilares de “inovação e transformação” para seguir crescendo. Um deles é o da distribuição. “Decidimos debutar efetivamente em distribuição fora do Itaú, em que tínhamos uma posição humilde e poucas plataformas de investimentos ou de alocadores”, conta. Em 2021 a decisão foi por aumentar a capilaridade dessa distribuição e “debutar” efetivamente na área. Como resultado, o total de contratos passou de cinco para 22 no ano passado, fechando parcerias com plataformas, alocadores e private bank, entre outros canais. O inverso também é verdadeiro porque as plataformas do Itaú distribuem produtos de terceiros, o que ajuda o cliente a ter acesso a uma oferta mais variada de produtos.
Outro destaque é o modelo multimesas, inaugurado em 2019 e que já responde por aproximadamente R$ 80 bilhões sob gestão de fundos de retorno absoluto, com 100 profissionais distribuídos entre equipes que atuam como pequenas gestoras dentro da asset, com independência e competição entre si. São 14 mesas e a casa está estreando em junho sua mais recente equipe, da Artax, voltada à gestão de multimercados macro e renda fixa unconstrained por meio de fundos e de produtos de previdência. “Saímos de 8º para o 1º lugar em retorno absoluto, então o modelo deu certo e continuará a crescer. Ele foi a nossa resposta ao avanço das gestoras independentes no segmento de retorno absoluto e à percepção de que poderíamos fazer muito mais; sabíamos que teríamos que nos desenvolver nisso ou ficar para trás”, pontua.
Nessa linha, também cresceu o fundo Rising Stars – um fundo de fundos que seleciona cotas de fundos de gestores externos com potencial de crescimento e para os quais não faria sentido serem transformados em multimesas. Em 2021, o fundo encerrou o período de captação (junho a agosto de 2021) com R$ 770 milhões em aportes feitos por pessoas físicas e institucionais, resultado acima do previsto.
O terceiro pilar é o do desenvolvimento off-shore, que espera começar a colher frutos este ano e colocar a asset como um player relevante. Foram criadas três novas mesas em 2021, dedicadas a mercados emergentes, uma delas para equities e duas para renda fixa. “Criamos uma mesa para o público institucional (fundos de pensão e endowments) com mandatos mais conservadores, com menor risco”, diz.
Os ganhos no mercado de crédito privado foram capturados graças a uma divisão da mesa em dois grupos, um de crédito tradicional e outro de crédito mais estruturado. “Estávamos preparados e, assim que a tendência do mercado foi invertida, a área estava bem estruturada”, afirma.
A captação líquida em crédito atingiu R$ 30,5 bilhões em 2021 e R$ 15 bilhões nos três primeiros meses de 2022. Em março passado havia um patrimônio líquido sob gestão de R$ 245 bilhões nessa classe. “Para os fundos de pensão, a expectativa é crescer principalmente em mandatos exclusivos de renda fixa/crédito, em que temos uma grade bem completa e que deve manter o apetite desses investidores num ano de cenário tão volátil”, conclui.

Segunda maior gestora independente no ranking e detentora da sétima posição entre as assets privadas, a SPX Capital está interessada em ampliar sua presença entre os institucionais brasileiros, depois de ter conquistado uma fatia expressiva de fundações lá fora, avisa Bruno Marangoni, sócio e diretor de produtos e novos negócios. Ele informa que os processos de globalização e de diversificação tem avançado e são fatores importantes para que a gestora seja atemporal na oferta de produtos. “Em 2021 o crescimento foi expressivo em volume e em estratégias, com maior diversificação da grade, além da ampliação do número de colaboradores e forte expansão no exterior”, conta. Com 27% de seu passivo off-shore, a casa mantém 60 colaboradores no exterior e cerca de 14% de sua força de trabalho é de estrangeiros.
Criada há 12 anos com uma origem fortemente vinculada aos fundos multimercados, iniciou o processo de globalização em 2016, quando abriu seu escritório em Londres, seguido pelo dos EUA. Entre 2020 e 2021, entrou no segmento de produtos alternativos, o que explica seu crescimento no ano passado. “Passamos de 140 para cerca de 200 colaboradores para que a equipe pudesse dar suporte aos novos business de alternativos, que foram colocados em pé em 2021”, diz.
Foram dois fundos de desenvolvimento imobiliário em real estate com a Cyrella e uma parceria, feita em 2021, por meio da qual a gestora absorveu as operações do grupo Carlyle no Brasil com o objetivo de entrar na classe de private equity.
A ofensiva no mundo dos alternativos marcou a terceira fase de desenvolvimento, que no intervalo de um ano passou de quatro para seis verticais de atuação e lançou produtos em todas elas. Fundos macro, de renda variável, de crédito, de previdência aberta, real estate e private equity.
No ano passado, o patrimônio sob gestão saltou de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões e até março deste ano já havia atingido R$ 68,2 bilhões, graças à captação em fundos multimercados offshore e também à captação pulverizada em outras classes. Em real estate, os dois produtos novos captaram perto de R$ 1,5 bilhão. Ao todo, os recursos sob gestão estão divididos entre R$ 49,7 bilhões em multimercados, R$ 9,3 bilhões em fundos de previdência; R$ 4,1 bilhões em ações; R$ 2,1 bilhão em private equity; R$ 1,6 bilhão em crédito e R$ 1,4 bilhão em real estate.
Na vertical de fundos multimercados macro, a captação do ano passado foi forte junto aos institucionais estrangeiros. A geração de alfa desses fundos, que era obtida em 80% no Brasil, foi reduzida ao longo dos últimos três anos até que essa proporção foi invertida e atualmente 75% do alfa vem do exterior. Hoje a “cereja do bolo” da asset é ter maior presença de institucionais estrangeiros do que dos brasileiros. “Essa interação global nos abre uma “avenida” de espaço para atuar junto às fundações brasileiras porque funciona como um carimbo dos grandes fundos de pensão lá fora e mostra que a nossa estrutura está em padrão internacional”, avalia.
O crescimento da área de RI da casa em 2021 veio reforçar a meta de crescer junto aos fundos de pensão locais. “Criamos um núcleo específico focado em EFPC e vamos investir nisso nos próximos anos”. Entre os diferenciais, ele destaca a “independência de fato” da casa, sem conflitos de qualquer tipo, o que é importante frente ao “movimento esquisito de mistura entre gestores e distribuidores que tem acontecido, o que significa que há menos gestores independentes de fato”, sugere.
Os investimentos em estrutura operacional e de research, com um pilar de tecnologia, também contribuíram para crescer no ano passado. Soma-se a isso o rigor para evitar conflitos de risco de imagem e assegurar compliance acima da média, seguindo regras locais e dos reguladores internacionais também.

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