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Investidor se sente preparado para ativos privados e temas ESG

Daniel Celano1Levantamento realizado pela Schroders, sob o título de Schroders Global Investor Study 2022, constatou que o aumento da conectividade e da quantidade de informações disponíveis estão impactando as decisões de investimentos, tornando mais acessíveis inclusive os mercados de ativos privados, como private equity e infraestrutura, e investimentos ligados a temas ESG.
Segundo o diretor-presidente da Schroders Brasil, Daniel Celano, “a diversificação se mostra mais importante quanto maior for o conhecimento do investidor. O mercado brasileiro está amadurecendo e, com isso, os investidores começam a se afeiçoar mais a ativos alternativos, incluindo private equity, e também a produtos de crédito e renda fixa, para compor carteiras eficazes em um contexto desafiador”.
O estudo, uma pesquisa virtual conduzida por duas empresas contatadas pela Schroders, incluiu países da Europa, Ásia, Américas e outras regiões, foi feito entre fevereiro e abril deste ano. Foram ouvidos mais de 23 mil indivíduos, incluindo aqueles que investirão pelo menos 10 mil euros (ou o equivalente) nos próximos 12 meses e pessoas que mudaram seus investimentos nos últimos dez anos.
Os fatores de risco ESG (ambientais, sociais e de governança) aparecem com maior urgência no radar desses investidores e as pessoas sentem que estão mais “empoderadas para pressionar as empresas a fazerem a coisa certa”, em especial no caso dos fatores ESG. Os critérios ambientais aparecem de modo relevante na lista de interesses, em especial as questões climáticas, consideradas o principal tema de engajamento por investidores de todos os países, exceto Bélgica, Coreia do Sul e México, que priorizam as questões de capital natural e biodiversidade. Os resultados do Brasil acompanham os globais nesse quesito.
De acordo com o estudo, os investidores, em sua maioria, sentem que, como acionistas, deveriam ter o poder de influenciar as empresas nas quais investem. No Brasil, 71% dos investidores que se classificam como avançados e experientes sentem-se capacitados para influenciar a tomada de decisões corporativas. Entre os investidores com conhecimento básico e iniciantes, esse percentual cai para 26%.
“As empresas, assim como os governos, estão sob escrutínio mais intenso do que nunca para mitigar os riscos ambientais, sociais e de governança de maneira sustentável. O que é interessante é que os riscos sociais e de governança estão começando a subir na lista de prioridades para os investidores”, diz Stuart Podmore, diretor de propostas de investimento da Schroders.
Outra conclusão é a de que as pessoas sentem maior confiança para acessar investimentos que antes eram vistos como inacessíveis. É o caso dos ativos privados, com 47% dos investidores sentindo que estão capacitados para acessar tanto private equity quanto ativos digitais. No Brasil, o percentual dos entrevistados que pretende investir em private equity é ainda maior, de 65%, seguido por ativos imobiliários (63%) e ativos digitais (59%).