Integração do mercado financeiro chinês representará risco para demais emergentes

Nos últimos anos convivemos com a integração da economia chinesa ao resto do mundo, e o próximo passo será a integração do mercado financeiro do gigante asiático com seus pares globais, e essa maior aproximação, e acesssibilidade, dos ativos do mercado chinês para investidores de diversos países trará como um de seus reflexos uma maior competitividade entre mercados emergentes para atrair recursos, afirma o CEO da MSCI, Henry Fernandez. “Os países emergentes podem sofrer com essa maior integração do mercado chinês com o mundo, já que será o maior dos emergentes se abrindo, tornando-se atrativo para os investidores, e disputando a atração de recursos com os demais”, pontua o executivo.

Os ativos de empresas chinesas representam atualmente cerca de 30% nos principais benchmarks globais da MSCI, e Fernandez acredita que, diante do ganho de importância da região para os mercados, nos próximos anos esse percentual pode chegar próximo dos 45%. O CEO da MSCI ressalta que essa integração global do mercado financeiro chinês deve ocorrer de forma acelerada. “Todos os dias vemos avanços do mercado chinês que o tornam mais atrativo aos investidores, com novas formas de acesso, e mesmo novas companhias sendo listadas na bolsa de valores”.

Investimentos passivos – O CEO da MSCI avalia que, diante da perspectiva de um cenário econômico global incerto, com a desaceleração da economia americana começando a entrar no radar, se juntando a outros pontos de atenção que já existiam como o aperto monetário do Fed e a guerra comercial entre Estados Unidos e China, uma das consequências naturais poderá ser um crescimento também menor do que vinha sendo observado dos investimentos passivos no mercado financeiro. Ainda assim, ele ressalta que em um ambiente de possíveis rentabilidades menores dos ativos, alternativas mais baratas de investimento, com taxas reduzidas, seguirão no radar dos investidores.

CEO da MSCI diz que Brasil precisa entregar resultados para ganhar espaço em benchmarks globais

O mercado brasileiro deve voltar a ganhar espaço nos benchmarks globais de países emergentes nos próximos anos, após perder mais de 50% de seu espaço no passado recente em função da recessão, mas somente caso o atual otimismo que ainda se vislumbra entre os investidores com o futuro governo venha a se confirmar com medidas concretas de ajuste fiscal, diz o CEO da MSCI, Henry Fernandez. A representatividade do mercado brasileiro no índice da MSCI para mercados emergentes, que em 2010 era de 15,83%, está atualmente em 7,32%.

“A despeito da expectativa positiva dos investidores com o próximo governo, será necessário entender como se dará a relação dele com o Congresso para que as importantes e complexas medidas para dar equilibrio às contas públicas do país avancem”, afirma Fernandez. Ele acrescenta, contudo, que o mercado não irá ficar esperando por muito tempo o Brasil colocar a casa em ordem para então iniciar sua alocação na região. “Há um grande mundo com diversas oportunidades de investimento à disposição dos investidores”.

Na avaliação do especialista, outro aspecto importante no qual o Brasil ainda precisa avançar para ganhar mais atenção dos investidores globais é dar maior importância para os fatores ambientais, sociais e de governança nos investimentos realizados localmente. “Se nos atentarmos para o fator ambiental, uma maior preocupação dos investidores com as empresas brasileiras ganha ainda mais importância, já que o mercado local está fortemente relacionado com as commodities”.

Além da recessão econômica, que fez o mercado brasileiro ter um fraco desempenho, e consequentemente perder espaço nos benchmarks globais, o CEO da MSCI lembra que também contribuiu para esse recuo a evolução de outras economias emergentes. Fernandez cita a Arábia Saudita e o Kuwait como potenciais novos entrantes nos benchmarks de mercados emergentes nos próximos anos, além da Argentina, que já teve sua volta confirmada para 2019. “Quando o governo argentino anterior passou a regular a taxa de câmbio tiramos o peso do mercado dos nossos benchmarks de emergentes. Temos acompanhado a nova administração, que te se mostrado mais pró-mercado, e neste ano decidimos incluir novamente o mercado argentino em nossos índices em 2019”.

 

 

CVM sob ataque da Amec e do Tribunal de Contas | Amec pede diversidade do colegiado e TCU quer auditoria para averiguar conformidades

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) se tornou recentemente alvo de questionamentos sobre sua atuação no papel de fiscalizador e regulador do mercado de capitais. No início de setembro a Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), em carta enviada ao ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e ao presidente da CVM, Marcelo Barbosa, defendeu uma maior diversidade na composição do colegiado da autarquia, o que, na avaliação do presidente da Amec, Mauro Cunha, poderia melhorar o processo de tomada de decisão do órgão regulador. No mesmo mês, pouco tempo depois da carta endereçada pela Amec, foi a vez do Tribunal de Contas da União (TCU) iniciar uma auditoria para “verificar a conformidade e os riscos atualmente existentes na atuação da CVM na regulação e fiscalização do mercado de capitais”.
O presidente da Amec, Mauro Cunha, ressalta que qualquer órgão colegiado só vai conseguir tomar decisões melhores que um indivíduo único se houver diversidade em sua composição. “Se você coloca uma pessoa para decidir, ela têm determinados vieses. Se colocar um grupo para decidir, mas com pessoas iguais ou parecidas, esses vieses só serão aumentados, e as decisões não serão boas”, pondera Cunha. “Quando se tem uma diversidade, há uma melhor qualidade nas decisões”, acrescenta o especialista.
No caso específico da CVM, que por natureza tem uma atuação multidisciplinar, prossegue o presidente da Amec, é preciso pessoas que entendam do Direito, mas também de outras áreas como contabilidade, finanças, economia doméstica e internacional, além de governança corporativa.
Ele lembra que até pouco tempo atrás o colegiado da CVM era formado por cinco especialistas oriundos da área de Direito, embora recentemente tenha ocorrido uma alteração, com a saída por motivos pessoais em setembro do diretor Gustavo Borba, mestre em Direito, e a entrada em seu lugar de Carlos Alberto Rebello Sobrinho, economista e com MBA em Direito Empresarial pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).
“Com toda sinceridade, não acredito que um grupo com cinco advogados, como era até pouco tempo, seja capaz de dar diversidade ao colegiado”. Cunha prefere não citar um caso específico em que a falta de diversidade entre os membros da autarquia levou a uma decisão ruim. “Estamos muito satisfeitos com a indicação do Rebello, e esperamos que as próximas indicações venham no mesmo caminho, não só em termos de formação mas também de gênero, com diferentes formas de pensamento”.
O presidente da Amec diz ainda que a indicação de Rebello retoma uma tradição que não estava sendo cumprida, de privilegiar o corpo funcional da CVM. Segundo Cunha, que tem encontros corriqueiros com o presidente da autarquia em eventos do mercado e já conversou com ele sobre o tema, a sugestão de maior diversidade já foi apresentada pessoalmente também ao ministro da Fazenda. “O recado está dado em todas as esferas”.

Ressarcimento – Além da maior diversidade, o presidente da Amec aponta como outro ponto de melhoria a ser feito no trabalho da CVM o início do ressarcimento de perdas sofridas por investidores que se sentiram lesados por atos dos controladores das empresas. “Mesmo em casos em que houve punição não ocorreu o ressarcimento dos prejuízos, o que gera um incentivo para operações lesivas que podem atrapalhar o mercado”.
Cunha diz que o órgão regulador vem trabalhando em conjunto com o ministério da Fazenda na elaboração de um mecanismo que permita o ressarcimento aos investidores, “o que vemos como muito positivo”. Ele lembra, inclusive, da Deliberação 390 da CVM, de maio de 2001, segundo a qual para realizar um termo de compromisso é condição previa o ressarcimento do prejuízo. “Isso nunca foi cumprido, e entendemos que antes mesmo das conclusões do trabalho em curso entre CVM e Fazenda a autarquia já poderia iniciar o cumprimento de sua própria deliberação”.
Cunha aponta transações como a da Qualicorp, anunciadas recentemente no mercado local, que causaram pesados prejuízos aos investidores. “Isso nos dá um pouco de receio”, diante da pouca efetividade do ressarcimento proporcionado pelo órgão regulador, diz Cunha. “O caso envolvendo a Qualicorp e seu controlador nos preocupa muito e talvez seja um dos maiores escândalos dos últimos tempos”.
O presidente da Amec afirma que tem percebido nos últimos anos um aumento do engajamento dos investidores minoritários na busca de seus direitos. “Diversos problemas que aconteceram no mercado teriam sido evitados se os minoritários estivessem agindo como donos do negócio, prestando a devida atenção às decisões e em interação com o conselho das empresas”. Cunha diz ainda que “é muito injusto o investidor reclamar da CVM se ele mesmo não fizer seu dever de casa”.

Auditoria – Sobre a auditoria iniciada pelo TCU, o presidente do tribunal, Raimundo Carneiro, afirmou, em comunicado, que a iniciativa “se mostra de extrema relevância, pois prejuízos aos acionistas minoritários em decorrência de fraudes enfraquecem a confiança da sociedade no mercado de capitais e afastam os investidores de modo geral”. Carreiro cita no documento, como exemplo, o caso da fusão entre as empresas JBS e Bertin, de 2010, em que houve, segundo ele, sinalização de prejuízos aos acionistas minoritários de pelo menos R$ 2 bilhões, incluído nesse valor um prejuízo à BNDESPar que ultrapassa os R$ 700 milhões.
Trabalhos do TCU em andamento, envolvendo os Grupos JBS, Marfrig, EBX, Oi, Petrobras, Eletrobras, entre outros, prossegue Carreiro no documento, “também reforçam a ideia de que prejuízos consideráveis estão decorrendo de uma atuação aparentemente insuficiente da CVM no sentido de coibir fraudes a investidores”.
Com a auditoria, cuja previsão de recursos fiscalizados supera R$ 4 bilhões, “espera-se incrementar a eficácia e efetividade na atuação fiscalizatória e regulatória da CVM”. Procurado, o TCU informou que não há mais informações públicas disponíveis sobre o trabalho e nem porta-voz para falar sobre o tema.

Posicionamento – A CVM, por meio de comunicado enviado pela assessoria de imprensa, informou, em relação à auditoria do TCU, que mantém com o tribunal “um profícuo relacionamento institucional, que abrange um acordo de cooperação técnica para intercâmbio de informações, conhecimentos e bases de dados de interesse comum”.
A autarquia diz ainda que também interage com o TCU em relação a tudo o que, no âmbito da sua atuação como instituição de controle, se mostra necessário ou útil, “o que se aplica, inclusive, ao objeto da sua demanda e a atuações anteriores do Tribunal, junto à CVM, no desempenho do seu papel institucional”.
Já sobre a sugestão da Amec de maior diversidade na composição de seu colegiado, a autarquia aponta que o assunto está previsto na lei 6385/76, mais especificamente no disposto do art. 6º, que estabelece que a CVM será administrada por um presidente e quatro diretores, nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovados pelo Senado Federal, “dentre pessoas de ilibada reputação e reconhecida competência em matéria de mercado de capitais”.
Cunha, da Amec, nota que a indicação de pessoas com alta capacidade técnica e reputação ilibada para compor o colegiado são condições necessárias, porém não suficientes para garantir a excelência no trabalho do regulador. A CVM encerra seu comunicado destacando que, diante do exposto, não compete à ela “emitir comentários a respeito do mérito do assunto”.

Ações da Qualicorp caem após anúncio do acordo | Investidores reagiram mal aos termos do acordo entre a Qualicorp e seu presidente

A Qualicorp, empresa que atua no ramo de planos de saúde coletivos, anunciou em 1° de outubro uma operação pouco usual no mercado, em que o conselho de administração aceitou pagar R$ 150 milhões líquidos ao seu presidente, José Seripieri Filho. Em troca, o executivo não levaria à frente, por seis anos, seus planos de vender sua participação de 15% e deixar a empresa que fundou para explorar outros nichos dentro do segmento de saúde potencialmente concorrenciais à própria Qualicorp.
O mercado reagiu muito mal ao anúncio - no pregão seguinte as ações da empresa caíram 29,37% na Bovespa, e o presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Mauro Cunha, classificou o episódio como um dos maiores escândalos dos últimos tempos no mercado brasileiro.
No dia seguinte ao anúncio, o conselho de administração da Qualicorp, em comunicado ao mercado, disse lamentar que “ilações e conclusões precipitadas possam ter causado apreensão ao mercado e permanecerá a disposição para prestar todos os esclarecimentos às autoridades competentes sobre a importância, lisura e legalidade do processo”.
Em teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre de 2018 da empresa, no dia 9 de novembro, a diretora financeira e de relações com investidores da Qualicorp, Grace Tourinho, informou que o valor total envolvido na transação chega a R$ 206,9 milhões, considerando os R$ 150 milhões, e outros R$ 56,9 milhões de Imposto de Renda (IR) retido na fonte. “Excluído o efeito do acordo de não competição, a dívida líquida reduziria 60%”, disse a executiva. A dívida líquida da companhia cresceu 91,1% no terceiro trimestre na comparação com igual período do ano passado.
Procurada, a Qualicorp informou que não faria comentários sobre o tema nem daria entrevista para a reportagem.

Novo acordo – A XP Asset Management, com 5,12%, é a maior acionista da empresa depois de Júnior, como o presidente da Qualicorp é conhecido no mercado, e por seu dever fiduciário junto aos cotistas de seus fundos entrou com uma notificação extra judicial junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na própria segunda-feira em que ocorreu o anúncio do acordo de não competição na tentativa de reverter a situação.
“Para tomar uma decisão importante como essa os demais acionistas deveriam ter sido ouvidos. Ficamos decepcionados, ainda mais pelo bom relacionamento que temos com o Júnior e o conselho há vários anos”, diz o gestor de renda variável da XP Asset, Marcos Peixoto, lembrando que a gestora carrega posições na Qualicorp desde 2013.
Durante a semana do anúncio os gestores da XP se reuniram algumas vezes com Júnior e os membros do conselho da Qualicorp em busca de uma saída amigável. Como resultado dessas conversas foi celebrado um acordo entre a XP, que retirou a notificação, e a Qualicorp, com quatro pontos principais: Júnior terá de utilizar os R$ 150 milhões para comprar ações da empresa até o final do ano; e a XP passou a ter um assento no conselho de administração, tendo indicado para o posto Rogério Calderón, membro dos comitês de auditoria do Itaú Unibanco e da B3.
Além disso, o próprio Calderón será o responsável pela implementação de uma área de governança dentro da companhia; e por fim, será incluído no estatuto que qualquer transação entre partes relacionadas terá de ser aprovada em assembleia, impedindo assim novas transações somente entre conselho e presidente.
“Claro que está longe de ser a solução ideal, poderia ser muito melhor, mas dentro de uma negociação entre duas partes é preciso abrir um pouco mão para chegar a um acordo, e ficamos relativamente confortáveis com o que foi possível obter”, afirma Peixoto. Ele acrescenta que após as medidas elencadas acima a empresa está hoje, em sua opinião, muito mais blindada do que antes dessa história começar. No dia 13 de novembro a Qualicorp informou que Seripieri concluiu, em operações realizadas na Bovespa, a aquisição dos R$ 150 milhões em ações da empresa.

As novas metas do Calpers para private equity | Fundo de pensão financia duas empresas para fazer a gestão externa de carteiras

O fundo de pensão dos servidores públicos da Califórnia (Calpers), que soma um patrimônio de aproximadamente US$ 346,6 bilhões, está promovendo algumas alterações em seu programa de investimento no mercado de private equity previsto para os próximos anos, informa reportagem da revista Pension & Investment. Ao invés da ideia inicial de criar uma corporação externa que ficaria responsável pela administração da carteira de investimentos de private equity, o fundo de pensão decidiu que serão duas companhias a serem estruturadas para fazer a gestão desses recursos, informou o gestor sênior de portfólio do Calpers, John Cole, durante reunião do comitê de investimentos da entidade previdenciária.
As duas empresas a serem criadas serão financiadas pelo próprio Calpers, que ao menos até o momento é o único financiador. Cada uma das companhias terá suas próprias e independentes equipes de gestão e seus conselhos consultivos.
Os dirigentes do fundo californiano têm trabalhado na reformulação de seu modelo de atuação no mercado de private equity, que envolve uma mescla de práticas tradicionais adotadas em anos anteriores com novos elementos a serem acrescentados. Ao final de junho o volume alocado pela entidade em ativos de private equity somava US$ 27,2 bilhões.
A intenção dos profissionais que trabalham no fundo de pensão é dividir a carteira de private equity em quatro pilares: um deles seguirá o modelo atual, com alocação em um mix de diferentes fundos, enquanto em outro estarão fundos de fundos de gestores em ascensão; haverá ainda duas estratégias de investimento direto nos ativos de mercado, que serão lideradas pelas empresas parceiras a serem criadas pelo Calpers, e que devem somar uma carteira de US$ 10 bilhões cada uma nos próximos dez anos.
Uma das empresas que ficará responsável pelos investimentos diretos do Calpers em private equity terá como foco a inovação, com a busca voltada para companhias ‘venture capital’ dos setores de tecnologia e saúde. A expectativa é que por meio dessa frente o fundo de pensão americano faça aportes de capital de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões por ano.
Já a outra empresa a ser criada fará alocações com vistas para o longo prazo, sem prazo definido para o desinvestimento. Nesse caso, explicou Cole, estarão no radar empresas que compõem o núcleo da economia americana, com modelos de negócios duráveis, capazes de gerar rendimentos atrativos com o passar do tempo. O gestor destacou também que os investimentos sob esse modelo serão em volumes maiores mas com uma frequência menor.

Gestores – Os dirigentes do Calpers estão no momento em busca de uma gestora para cuidar do pilar fundo de fundos em assets em ascensão. A previsão é que o processo termine em dezembro. De acordo com Cole, o investimento da entidade em private equity por meio de gestores emergentes deverá saltar de “alguns milhões” para cerca de US$ 500 milhões.
O pilar que seguirá o modelo atual de investimento em private equity do fundo de pensão, com fundos diversos aglutinados em uma carteira, também deverá sofrer algumas modificações. Há alguns meses o Calpers iniciou processo para selecionar um gestor para esse portfólio. Participaram da concorrência as casas AlpInvest Partners, Hamilton Lane, HarbourVest Partners, Neuberger Berman, BlackRock e Goldman Sachs Asset Management.
No entanto, ao invés de terceirizar a gestão da carteira, o Calpers avalia agora a possibilidade de contratar uma empresa de consultoria para auxiliar os profissionais da entidade nesse trabalho. Contudo, essa decisão será postergada até que ocorra a contratação de um executivo para ficar à frente da divisão de private equity, o que é esperado para ocorrer em meados de 2019. O Calpers não tem uma pessoa à frente da área de private equity desde a saída da executiva Real Desrochers em abril de 2017. Sarah Corr tem respondido interinamente pelo segmento desde então.
“Chegamos à conclusão, após uma série de análises e discussões, de que a estrutura atual não iria fortalecer de maneira significativa nossa organização”, afirmou o gestor sênior do Calpers. “Por conta disso, ao concluirmos nossa busca, no início de 2019, de um chefe permanente para nossa equipe de private equity, iremos reavaliar nossas opções para fazer frente ao modelo atual”.

JGP será gestora do FIDC de debêntures de infraestrutura de R$ 500 milhões do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta sexta-feira, 16 de novembro, a seleção da JGP Asset Management como gestora do novo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), que terá como objetivo investir em debêntures incentivadas de projetos de infraestrutura. O patrimônio do fundo será de aproximadamente R$ 500 milhões.

O processo seletivo, através de chamada pública, contou com a participação de oito instituições. A melhor colocada da Chamada Pública foi a JGP Asset Management, selecionada por apresentar melhor combinação de nota técnica e nota comercial. As gestoras Votorantim Asset Management e Itaú Asset Management, respectivamente segunda e terceira colocadas no certame, formam o cadastro de reservas.

O FDIC parte de um portfólio pré-existente, com ativos de boa qualidade de crédito, que atualmente compõem a carteira de debêntures de projeto do BNDES. De acordo com o banco de fomento, esse diferencial contribui para a mitigação do risco de originação de ativos e de desenquadramento na Lei 12.431/2011, que proporciona benefício tributário para os cotistas do fundo.

“Com essa iniciativa, além de criar mais uma fonte de financiamento a projetos de infraestrutura, o BNDES espera aumentar a base de investidores e incrementar a liquidez de títulos de infraestrutura, bem como securitizar parte de sua carteira, alienando ativos nos quais entende que já cumpriu sua missão institucional”, diz o comunicado da instituição financeira, que ressalta que o BNDES não será cotista do FIDC.

Captação líquida da indústria de fundos até outubro é 69,5% menor do que em 2017

A captação líquida da indústria de fundos atingiu R$ 6,4 bilhões em outubro, e R$ 76,6 bilhões no acumulado do ano, 69,5% abaixo dos R$ 251,3 bilhões registrados em igual período do ano passado, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 8 de novembro, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Além disso, a indústria brasileira de fundos de investimento alcançou R$ 4,5 trilhões de patrimônio líquido, volume 9,8% maior que os R$ 4,1 trilhões alcançados no fim do ano passado.

A classe dos multimercados reafirmou seu papel como fonte de diversificação de investimentos e pela quinta vez no ano encerrou o mês de outubro com o melhor aporte líquido da indústria, R$ 1,5 bilhão, acumulando no ano captação líquida de R$ 42,7 bilhões, a maior entre as classes. Dentro dos multimercados o tipo Macro e Investimento no Exterior foram destaque, com captações de R$ 1,9 bilhão e R$ 1,7 bilhão no mês e R$ 24,2 bilhões e R$ 10,5 bilhões de captação no ano, respectivamente.

A classe previdência obteve a segunda maior captação em outubro com R$ 1,46 bilhão, bem próximo da sua média mensal no ano, de R$ 1,6 bilhão. Logo em seguida, a classe ETF obteve seu melhor resultado, com captação líquida de R$ 1,2 bilhão no mês. A classe ações obteve captação líquida de R$ 1,2 bilhão em outubro, “já refletindo a melhora nas expetativas econômicas por parte dos agentes”, segundo avaliação da Anbima.

Na análise das rentabilidades, dentro dos 46 tipos de fundo acompanhados, 41 apresentaram retorno positivo, sendo que 24 deles registraram a melhor rentabilidade mensal no ano. Os fundos de ações apresentaram os maiores retornos; dos 12 tipos dentro dessa classe, 8 apresentaram rentabilidade superior a 10%. Na classe Renda Fixa o destaque foi o tipo Duração Alta Soberano, que rentabilizou 5,4% no mês, acompanhando os títulos públicos de longo prazo, que apresentaram as maiores altas (o IMA-B5+ obteve ganho de 10,7% em outubro). Dentro da classe Multimercados quase todos os tipos apresentaram rentabilidade positiva, a maior delas foi vista no Long and Short Direcional (5,2%).

“A rentabilidade positiva alcançada pelos fundos de renda fixa foi influenciada pela diminuição das incertezas no mercado externo e, principalmente, no mercado doméstico devido ao fim do processo eleitoral. O cenário mais claro reduziu os prêmios de risco nos papéis de longo prazo, principalmente naqueles acima de cinco anos”, explica o vice-presidente da Anbima, Carlos André, em comunicado.

 

CVM edita instrução que altera aspectos das legislações sobre CRA e CRI

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou na semana passada a Instrução CVM 603, que altera aspectos das legislações sobre Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Segundo a CVM, a nova instrução implementa alterações pontuais na CVM 414, 480 e 600.

”A norma faz ajustes pontuais para tratar de dúvidas e questões sobre a aplicação das novas regras pelas companhias securitizadoras.”, explica o superintendente de desenvolvimento de mercado da CVM, Antonio Berwanger.

As alterações realizadas contemplam quatro pontos:

  • • esclarecimento de que a securitizadora também pode realizar ofertas de CRI até o limite de R$ 100 milhões de reais sem a necessidade de contratação de instituição intermediária utilizando-se do regime da Instrução CVM 476.
  • • ajuste redacional para prever que a vedação de aquisição de direitos creditórios de partes relacionadas se dá quando estas originam ou emitem os direitos e não pela sua mera aquisição por parte delas.
  • • estabelecimento de que às emissões já realizadas (estoque) não se aplica a obrigatoriedade de atualização trimestral do rating, prevalecendo o disposto no termo de securitização de tais emissões.
  • • revogação dos dispositivos que exigiam o exame do informe periódico dos certificados por ocasião da realização do trabalho de asseguração razoável da auditoria independente, uma vez que a periodicidade deste documento passou de trimestral para mensal e que a contabilidade dos patrimônios em separado se desvinculou da contabilidade da securitizadora, não havendo mais para aqueles a exigência de auditoria de tais informes.

Anbima projeta Selic a 6,5% até o final de 2018

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) projeta a manutenção da Selic a 6,5% até o final de 2018. Segundo comunicado, o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da associação prevê que o Copom faça um ajuste na taxa de juros apenas em janeiro de 2019, elevando-a para 6,75%, e podendo chegar a 8% em dezembro do mesmo ano. O ciclo de elevação da taxa de juros deve iniciar com a  retomada do ritmo de crescimento da economia e com os efeitos da política monetária sobre a inflação, diz o comunicado.

O IPCA, por sua vez, deve subir de 4,2% para 4,4%, voltando para 4,2% no ano que vem. Já o PIB foi revisado para baixo pela quinta vez consecutiva, com projeção de ficar em 1,35% no final do ano. Para o próximo ano, a previsão é de que o crescimento do PIB seja de 2,5%. Com perspectivas positivas para a economia brasileira após as eleições, a projeção do dólar também foi revisada, saindo de R$ 3,85 para R$ 3,70 no encerramento de 2018.

Volume de ofertas soma R$ 217,4 bilhões em 2018 até setembro

O volume de ofertas no mercado brasileiro totalizou R$ 217,4 bilhões em 2018, até setembro, o que representa um crescimento de 8,91% frente aos R$ 199,6 bilhões em igual período do ano passado, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 11 de outubro, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O número de operações, no entanto, é um pouco inferior a 2017, com 548 contra 594.

Do total de ofertas registradas de janeiro a setembro, R$ 162,3 bilhões foram de renda fixa no mercado doméstico, e R$ 48,2 bilhões no exterior, com outros R$ 6,9 bilhões do segmento acionário. As debêntures foram responsáveis pela captação de R$ 108,5 bilhões, com alta de 98,35% em comparação com 2018, sendo R$ 15,8 bilhões de debêntures não incentivadas.

“Apesar do período eleitoral, o mercado de capitais funcionou com bastante dinamismo e registrou o melhor desempenho nas ofertas de renda fixa na comparação com últimos três anos com eleições (2006, 2010 e 2014)”, afirma o vice-presidente da Anbima, José Eduardo Laloni, em comunicado. Outro ponto de destaque no balanço divulgado pela Anbima foi a evolução de 76,78% na oferta de fundos imobiliários, que somaram R$ 9,9 bilhões no acumulado do ano até setembro.

Na renda variável, a queda de 77% nas ofertas é atribuida pela associação ao cenário de instabilidade eleitoral. A expectativa da Anbima é que as empresas acessem o mercado após segundo turno da eleição presidencial. “Há várias emissões ‘represadas’ esperando um ambiente mais propício para irem a mercado” diz Laloni.