Volatilidade postergou cerca de R$ 6 bilhões em ofertas de ações, diz estudo da EY

A alta volatilidade no mercado brasileiro diante das indefinições das eleições de outubro e o ambiente global menos favorável para emergentes postergou ao menos R$ 6 bilhões em ofertas de ações, segund estudo sobre o mercado de IPOs divulgado pela EY. Empresas que haviam sinalizado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) intenção de realizar IPOs, como Agibank, Banrisul Cartões, Bunge Açúcar e Bioenergia e JHSF Malls, decidiram adiar os investimentos, aponta o estudo. 

No segundo trimestre, três IPOs foram feitos na bolsa brasileira: as operadoras de saúde Intermédica Notredame e Hapvida, além do Banco Inter, totalizando R$ 7 bilhões. O Banco Inter foi a primeira fintech a abrir capital na bolsa e levantou R$ 541 milhões na oferta primária, além de R$ 180 milhões na secundária. Já as operadoras de saúde Intermédia Notredame e Hapvida levantaram R$ 2,72 bilhões e R$ 3,4 bilhões, respectivamente.

“Observamos que os investidores têm adotado uma postura mais cautelosa por conta do cenário político ainda incerto no país. Acreditamos que assim que o cenário político econômico do Brasil e da região estiver mais claro teremos novas empresas se lançando na bolsa”, afirmou o diretor de transações corporativas e líder de IPOs da EY, Guilherme Sampaio, em comunicado.

No cenário global, o estudo apontou que os riscos e incertezas da geopolíticas, além de mudanças comerciais globais, contribuíram para a queda de IPOs no segundo trimestre de 2018, resultando em 660 IPOs no primeiro semestre deste ano. O número representa uma queda de 21% em relação ao mesmo período de 2017, quando houve 1713 IPOs.

Apesar dessa desaceleração, os mercados globais de IPO aumentaram US$ 94,3 bilhões no primeiro semestre de 2018, número 5% superior no comparativo anual. Vale ressaltar que esse crescimento é o maior para o primeiro semestre desde 2015.

Os setores que contaram com mais empresas abrindo o capital na bolsa, até o momento, foram tecnologia, indústria e saúde. Os Estados Unidos registraram, no segundo trimestre de 2018, 54 IPOs, levantando US$ 12,9 bilhões, um aumento de 6% em receita, mas queda de 8% em volume se comparado com o mesmo período em 2017.

México inaugura sua segunda bolsa de valores | Empresário cria a Biva e põe fim a um monopólio de 43 anos da Bolsa Mexicana de Valores

Criada em 1894, a Bolsa Mexicana de Valores (BMV), instalada na cidade do México, dava as cartas de forma absoluta em solo asteca desde 1975, quando absorveu suas rivais mais jovens de Monterrey e Guadalajara. Seu longo reinado, contudo, acaba de chegar ao fim com a inauguração, em 25 de julho último, da Bolsa Institucional de Valores (Biva), uma bolsa com forte viés tecnológico em suas operações e que instalou-se a uma distância de apenas 7 quilômetros da BMV. “A concorrência é sempre positiva, pois viabiliza o crescimento e o aperfeiçoamento dos mercados”, diz Santiago Urquiza, mentor e principal acionista da Biva e também presidente da Central de Corretagens (Cencor), um grupo que atua há 25 anos nos segmentos financeiro e de capitais do México, além da América Latina e Estados Unidos.Criada em 1894, a Bolsa Mexicana de Valores (BMV), instalada na cidade do México, dava as cartas de forma absoluta em solo asteca desde 1975, quando absorveu suas rivais mais jovens de Monterrey e Guadalajara. Seu longo reinado, contudo, acaba de chegar ao fim com a inauguração, em 25 de julho último, da Bolsa Institucional de Valores (Biva), uma bolsa com forte viés tecnológico em suas operações e que instalou-se a uma distância de apenas 7 quilômetros da BMV. “A concorrência é sempre positiva, pois viabiliza o crescimento e o aperfeiçoamento dos mercados”, diz Santiago Urquiza, mentor e principal acionista da Biva e também presidente da Central de Corretagens (Cencor), um grupo que atua há 25 anos nos segmentos financeiro e de capitais do México, além da América Latina e Estados Unidos.
Retórica à parte, a novidade tirou a BMV, realmente, da sua zona de conforto. Além de alfinetadas sutis na Biva por parte de seus porta-vozes, a BMV anunciou, dois dias antes da largada da concorrente, um pacote de novas opções para o seu público, incluindo operações em blocos, que permitem negócios em grandes volumes sem maiores impactos sobre a formação de preços, além de melhorias nas vendas a descoberto e em operações internacionais. “A BMV ficou surpresa com a nossa chegada, assim como todo o mercado, mas não nos criou obstáculos”, observa diplomaticamente Urquiza. “Mudanças estruturais e tecnológicas, como as que estamos introduzindo, não são de fácil assimilação, mas contamos com o apoio da maioria dos agentes do setor.”
A Biva surge, de fato, com ar inovador. O projeto, que demandou investimentos de US$ 50 milhões, conta com suporte tecnológico da bolsa nova-iorquina Nasdaq e teve o seu índice, lançado em fevereiro, desenvolvido sob medida pela conceituada empresa britânica FTSE Russel, integrante do London Stock Exchange Group e referência global na área. O FTSE Biva Index reúne, no momento, 51 companhias, 15 a mais do que o equivalente da BMV, e será ajustado a cada semestre. “É um índice mais representativo da economia mexicana, pois mescla empresas de diferentes portes”, assinala Urquiza.
O grande desafio da novata será alavancar os negócios com ações, condição da qual dependerá, em última análise, a sua própria existência. Hoje, a Biva detém 10% das operações locais, que somam algo em torno de US$ 700 milhões ao dia, fatia que, acredita Urquiza, deverá dobrar no primeiro ano de atividades. “Sou otimista. A competição entre as duas bolsas permitirá um crescimento de 50% no volume de negócios até o início da próxima década”, projeta ele.
Boa parte dessa meta será cumprida, em sua avaliação, com a listagem das companhias de capital aberto mexicanas, que somam 150, o correspondente a 44% do total brasileiro. Os trabalhos de prospecção de novas companhias estão a cargo das corretoras locais e do Centro Educativo do Mercado de Valores (CEMV), ligado à Associação Mexicana de Intermediários Bursáteis (Amib). “Pretendemos atrair, até 2021, mais 50 empresas. A meta é plenamente factível, pois há por volta de mil corporações no México com faturamento anual a partir de US$ 30 milhões, enquadradas nos nossos requisitos”, comenta Urquiza. “As estreantes contarão com consultoria e serviços da Biva antes, durante e depois das operações de abertura de capital.”
A proposta de quebra do monopólio da BMV, agora consumada, ocorreu ao empresário na década de 1990, quando a Cencor atuava no mercado Over the Counter (OTC), no qual são negociados moedas, bônus e derivados. A semelhança do modus operandi do negócio com as bolsas de valores lhe deu ideias a respeito. Em 2004, ele consultou as autoridades mexicanas e recebeu sinal verde para tocar em frente o plano de uma nova bolsa no país. “Tivemos, porém, de pisar no freio em razão da eleição presidencial de 2006 e, dois anos depois, por causa da eclosão da crise financeira internacional”, relembra. “Retomamos os trabalhos para a criação da bolsa em 2013 e, em agosto do ano passado, recebemos a autorização da Secretaria de Fazenda e Crédito Público.”
A confiança de Urquiza na viabilidade da Biva guarda relação direta com a sua crença no potencial do mercado de capitais mexicano. Ele nunca se conformou, por exemplo, com o fato de o seu país, detentor do 15º PIB global, ocupar postos ao redor do 30º lugar no ranking internacional de negócios com ações e o 43º no total de companhias abertas. “O México é o oitavo maior player no mercado OTC e tem condições de alcançar o mesmo patamar em bolsas de valores. Da mesma forma, considerando que as empresas cotadas em pregões no Canadá e na Espanha faturam, em média, US$ 600 milhões ao ano, temos chances de elevar para 890 o total de companhias emissoras de ações no país”, exemplifica. “Ao menos, conseguimos agora, com o início das operações da Biva, ingressar no seleto grupo de nações com duas ou mais bolsas de valores em atividade.”
O feito asteca deixou o Brasil como o único entre os 15 países mais ricos a contar com somente um pregão (ver tabela). Dominado integralmente desde 2000 pela B3, que por sinal adquiriu 4,1% do capital da BMV há dois anos, o setor tem assistido a alguns ensaios de desconcentração (ver box). “O mercado brasileiro é grande, muito maior do que o mexicano. Mas cada país e cada mercado tem as suas razões”, desconversa Urquiza, recorrendo novamente à diplomacia.

Brasil ainda tenta criar a Nova Bolsa
A história de Urquiza e da Biva lembra um pouco a da Nova Bolsa, lançada pelo empresário Arthur Pinheiro Machado, acusado de envolvimento em operações irregulares com fundos de pensão e Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Machado, presidente da Americas Trading Group (ATG), pretendia criar em São Paulo uma nova bolsa de valores para concorrer com a B3. Seu ponto vulnerável foi sempre a liquidação e custódia, sistemas que a B3 possui mas se negava a ceder-lhe.A história de Urquiza e da Biva lembra um pouco a da Nova Bolsa, lançada pelo empresário Arthur Pinheiro Machado, acusado de envolvimento em operações irregulares com fundos de pensão e Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Machado, presidente da Americas Trading Group (ATG), pretendia criar em São Paulo uma nova bolsa de valores para concorrer com a B3. Seu ponto vulnerável foi sempre a liquidação e custódia, sistemas que a B3 possui mas se negava a ceder-lhe.
Por anos a ATG tentou conseguir da B3, então Bovespa, autorização para operar através desses sistemas. A B3 não parecia disposta a abrir espaço em seus sistemas para concorrentes. Quando finalmente parecia que o braço de ferro com a B3 iria se resolver, já que a condição imposta pelo Cade para aprovar a fusão da Bovespa com a BM&F era que os serviços de liquidação e custódia fossem disponibilizados a terceiros a custos definidos por Arbitragem (que foi a seguir instalada para estudar o caso B3/ATG), o nome de Pinheiro surgiu nas denúncias da Operação Rizoma, deflagrada em abril último pela Força-Tarefa da Lava-Jato do Rio de Janeiro. Ele foi preso e a seguir libertado por mandado judicial.
Apesar das acusações contra Machado, a ATG continua operando. Em nota, a empresa informou que: 1) Machado está afastado de todas as operações da empresa; 2) a prestação de serviços aos clientes da ATG continua normalmente; 3) a empresa continua comprometida com o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil. Mas a dúvida é se teremos no Brasil uma Nova Bolsa, a exemplo da Biva no mercado mexicano, concorrendo com a B3.

Corretoras tradicionais apostam no segmento de research | XP, Spinelli/Concórdia, Mirae e UBS veem continuidade de juros baixos e bolsa forte

Corretoras tradicionais como XP Investimentos, Mirae Asset e Spinelli/Concórdia, assim como casas internacionais, como o UBS, estão voltando a investir na área de research. Com a queda dos juros e o desempenho positivo da Bovespa nos últimos dois anos, apesar da volatilidade dos últimos meses, essas casas acreditam que a demanda por análises e relatórios, tanto da parte de investidores pessoas físicas quanto de institucionais, irá aumentar. E essa possibilidade atrai também novas apostas, como a da Invest Mind, que criou uma plataforma digital onde profissionais independentes previamente cadastrados oferecerão suas análises ao mercado.Corretoras tradicionais como XP Investimentos, Mirae Asset e Spinelli/Concórdia, assim como casas internacionais, como o UBS, estão voltando a investir na área de research. Com a queda dos juros e o desempenho positivo da Bovespa nos últimos dois anos, apesar da volatilidade dos últimos meses, essas casas acreditam que a demanda por análises e relatórios, tanto da parte de investidores pessoas físicas quanto de institucionais, irá aumentar. E essa possibilidade atrai também novas apostas, como a da Invest Mind, que criou uma plataforma digital onde profissionais independentes previamente cadastrados oferecerão suas análises ao mercado.
A XP Investimentos lançou em julho sua área de research e trouxe Karel Luketic, que atuava no time de pesquisa do Bank of America Merrill Lynch desde 2010, para liderar a iniciativa. No BofA, Luketic era o responsável pela cobertura dos setores de metais e mineração e papel e celulose, que seguirão sob sua análise na nova casa.
“A XP vem investindo cada vez mais em conteúdo, e com o cenário para Brasil que veio gradualmente ficando mais positivo, e que torna o negócio de bolsa atrativo, ela fez uma grande aposta em produção de material voltado para renda variável”, afirma Luketic. Ele explica que sua equipe vai produzir materiais voltados tanto para o público institucional como para investidores pessoas físicas. O material para esse público do varejo ficará disponível em uma plataforma aberta e poderá ser acessado por qualquer pessoa, enquanto o material para o público institucional, que demanda informações mais aprofundadas e técnicas, terá um direcionamento mais específico.
Luketic ressalta que as recomendações e análises são essencialmente as mesmas para os dois públicos, o que muda é o formato da linguagem. “Enfrentamos um desafio grande em adaptar para o varejo um material que sempre foi mais voltado para os institucionais, mas um dos nossos principais objetivos é democratizar informação de qualidade no mercado”.
O research da XP é composto por seis profissionais e foi montado usando profissionais da casa e novas contratações. Além de Luketic, foram contratados recentemente Gabriel Francisco, vindo do Goldman Sachs para analisar o mercado de “utilities”, e Betina Roxo, vinda do research do BofA para cuidar do mercado de consumo. Completam o time profissionais que foram pinçados em outras áreas da XP, como André Martins, que veio da área de distribuição de renda fixa para fazer a análise de bancos, Bruna Pezzin que analisará o setor de transportes e Sérgio Berruezo que analisará o setor de construção civil e telecom.

Experientes – Já a Mirae Asset contratou em março o analista sênior Pedro Galdi, que acumula passagens pelas corretoras SLW e Magliano, e pouco tempo depois reforçou o time com Fernando Bresciani, ex-Itaú BBA e BNP Paribas. Segundo o diretor da Mirae, Pablo Spyer, a decisão de estruturar uma área de research decorreu da demanda que recebia dos clientes, tanto pessoa física quanto institucionais, por informações e análises proprietárias sobre o mercado. “Além de suprirmos a necessidade dos clientes, as análises são usados por nossos agentes autônomos para terem maior embasamento em suas abordagens”, afirma Spyer. 
Pedro Galdi lembra que, por conta da recessão econômica e das perspectivas pouco animadoras para a bolsa nos anos anteriores, uma série de corretoras desfizeram suas áreas de análise. “Agora, com o cenário um pouco mais positivo para os próximos anos, esse é um negócio que volta a atrair o interesse dos clientes”. 
Carro chefe – No caso das corretoras Concórdia e Spinelli, que aguardam a aprovação do Banco Central (BC) para fundirem suas operações, a área de research terá um peso estratégico. Segundo o diretor comercial da casa, Rafael Giovani, a nova empresa espera atrair clientes com o material produzido pelo departamento de análise e pesquisa, chefiado por André Perfeito (ex-Gradual) e que conta com a participação da analista econômica Camila de Caso, trazida por Perfeito da Gradual. 
“A chegada do Perfeito foi uma oportunidade pontual, por conta da situação da Gradual, mas o departamento de análise já era um projeto no qual estávamos trabalhando”, conta Giovani. A equipe de análise tem atualmente oito profissionais, e o diretor não descarta aumentar esse número conforme for aumentando a demanda dos investidores. Antes da fusão, a Concórdia não tinha equipe de análise e adquiria relatórios de terceiros, enquanto a Spinelli contava com apenas um analista de investimentos em seu time. “O Perfeito, além de sempre aparecer entre os melhores economistas no ranking do Banco Central, é um profissional que sabe falar bem e tratar de assuntos pouco usuais de forma simples”. 
Giovani conta que o departamento de análise será voltado principalmente para auxiliar os investidores de varejo, mas produzirá também material direcionado aos institucionais. Segundo ele, para se diferenciar, além dos papéis que fazem parte do Ibovespa o departamento de análise da nova corretora cobrirá empresas que não costumam aparecer no radar das grandes casas, como Júlio Simões, Ecorodovias e Movida. 
Giovani explica que assim que o BC der a aprovação final para a fusão das duas corretoras, a nova casa irá lançar sua própria plataforma aberta de investimentos e curadoria via agentes autônomos. A expectativa é que esse lançamento, com um novo nome e marca, ocorra entre outubro e novembro próximos.

Novo enfoque – No UBS, o diretor de research para América Latina, Gustavo Oliveira, diz que até o momento não sentiu reflexos do crescimento dos researchs de casas independentes no mercado. Ele atribui isso ao foco dessas casas, que atuam mais no varejo enquanto o UBS visa os institucionais. “No UBS, temos no radar as empresas de maior liquidez do mercado, enquanto as casas independentes olham para outro perfil de ativo, às vezes olhando mais para small caps, que já não tem uma cobertura tão aprofundada dos grandes bancos”, diz Oliveira. 
O UBS tem uma equipe de research para América Latina com cerca de 20 profissionais, sendo aproximadamente metade deles alocados no Brasil. O executivo admite que esse número está um pouco abaixo do observado nas outras grandes researchs internacionais, que mantém cerca de 30 analistas para a região. 
Para crescer no mercado o UBS não pensa em expandir o número de analistas ou o número de empresas sob cobertura (atualmente são cerca de 150 companhias no radar), mas sim produzir um trabalho de pesquisa diferenciado, chamado ‘Evidence Lab’. O departamento global responsável pelo ‘Evidence Lab’ identifica um tema que esteja em destaque entre os investidores e faz um trabalho aprofundado de pesquisa sobre seus potenciais impactos nas empresas que compõem a cadeia produtiva, inclusive concorrentes, e esse material é disponibilizado aos analistas do research, que o utilizam para fazer suas recomendações. 
Um estudo realizado recentemente pelo ‘Evidence Lab’ mostrou toda a cadeia de fornecedores dos carros elétricos e seu impacto sobre a indústria automobilística tradicional. “Outras cadeias produtivas também são estudadas no ‘Evidence Lab’”.

Plataforma aberta – Já a Invest Mind aposta num modelo novo no mercado brasileiro, que consiste em uma plataforma aberta vinculada a uma rede de analistas associados, que oferecerão ao mercado análises sob demanda. A empresa foi montada por Roberto Attuch, ex-Barclays e ex-Credit Suisse, que fará a seleção dos analistas que poderão oferecer seus relatórios pela plataforma. Somente analistas CNPI serão considerados.
Segundo Attuch, serão oferecidos tanto os modelos tradicionais de relatório, com recomendação de compra ou venda de um determinado ativo, quanto relatórios sob medida em relação a um ativo específico no radar do investidor. O executivo afirma que a plataforma iniciou suas operações em meados de agosto com cerca de 40 analistas cadastrados.

Maior parte da população que investe busca informações com gerentes bancários

Do total da população brasileira com parte de seus recursos alocados em produtos financeiros, 41% buscam informações presencialmente, nas agências bancárias, junto aos seus gerentes, segundo pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) quantificada pelo Datafolha. De acordo com o levantamento, essa preferência é mais forte nas faixas etárias mais avançadas, ou seja, entre aquelas pessoas que cresceram em uma época que o gerente era uma das únicas fontes de informação sobre finanças: ainda pensam assim 42% dos investidores entre 45 e 59 anos e 47% dos sexagenários.

“Atualmente há uma gama enorme de fontes de informação acessíveis e disponíveis, mas o gerente mantém papel fundamental entre os clientes”, afirma a superintendente de educação e informações técnicas da Anbima, Ana Leoni, em comunicado. As indicações de amigos e parentes são relevantes para 33% da população que investe. O comportamento é mais comum entre os mais jovens: 45% do pessoal entre 16 e 24 anos valoriza mais as informações de seus contatos. Já entre as pessoas de 25 a 34 anos, os sites de notícias são a forma preferida (40,8%) para buscarem informações (entre o público total, a participação dos sites é de 29%).

Outros meios aparecem de forma mais pulverizada: 17% dos investidores se informam em consultorias de investimento; 11% por meio de aplicativos de corretoras; 9% em blogs e fóruns de investimento e 3% pelos meios de comunicação tradicionais como rádio, TV e jornal. Cinco por cento dos entrevistados afirmaram não buscar informações. Foram realizadas 3.374 entrevistas em todo o Brasil, distribuídas em 152 municípios, com a população economicamente ativa, inativos que possuem renda e aposentados, das classes A, B e C, a partir dos 16 anos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Lucro das cias de capital aberto cresce 76,25% no 2° trimestre

 O luco reportado pelas 308 empresas de capital aberto com ações negociadas na Bovespa no segundo trimestre de 2018 foi 76,25% maior do que o verificado em igual período do ano passado, ao crescer de R$ 22,37 bilhões para R$ 39,44 bilhões, segundo levantamento da Economatica. 

O resultado teve expressivo impacto dos lucros de R$ 10 bilhões da Petrobras (no mesmo período do ano passado o lucro foi de R$ 316 milhões), e de R$ 2,81 bilhões da Eletrobas (contra R$ 306,65 milhões no segundo trimestre de 2017). A Petrobras é inclusive a empresa da amostra com o maior lucro registrado de abril a junho de 2018. Na sequência aparecem Itaú, com R$ 6,24 bilhões, e Bradesco, com R$ 4,52 bilhões.

Das vinte empresas mais lucrativas, três registram queda de lucratividade no segundo trimestre de 2018 com relação a igual período de 2017. A Braskem teve o maior recuo, com variação negativa de R$ 542,5 milhões, seguida pela Cielo, com queda de R$ 176,7 milhões, e pela Kroton, com recuo de R$ 79,8 milhões. Os setores de energia elétrica e bancos, com quatro empresas cada, são os mais presentes entre as vinte empresas mais lucrativas.

Na outra ponta, o maior prejuízo, de R$ 1,84 bilhão, foi da Suzano. Em seguida aparece a BRF, com prejuízo de R$ 1,58 bilhão, e a Gol, com R$ 1,32 bilhão. O setor de alimentos e bebidas com quatro empresas tem o maior número de empresas na lista dos vinte maiores prejuízos, seguido pelo setor de papel e celulose com três.

BC aprova com restrições aquisição de participação minoritária pelo Itaú na XP

O Banco Central aprovou, com restrições e limitações, a aquisição de participação minoritária pelo Itaú Unibanco na XP Investimentos. As imposições feitas pela autoridade monetária incluem a vedação do Itaú adquirir o controle da XP, e a obrigação de preservar a independência da corretora.

As restrições e as limitações constam no Acordo em Controle de Concentração (ACC), um contrato assinado pelo BC com as duas instituições, que prevê entre seus termos que o Itaú adquira 30,1% do capital votante da XP. Somadas às ações preferenciais (não votantes), o Itaú Unibanco adquire 49,9% do capital total da XP. Esse percentual de 49,9% é atingido com a injeção, pelo Itaú Unibanco, de R$ 600 milhões no capital da XP e com a transferência de ações dos atuais acionistas para esse banco.

O Itaú Unibanco não poderá adquirir o controle da XP no futuro. Nos termos aprovados pelo BC, foram excluídas do contrato, a compra, pelo Itaú Unibanco, de 12,5% do capital total da XP em 2020 e as opções de venda do controle acionário da XP ao Itaú Unibanco, a partir de 2024, ou de compra do controle (pelo Itaú Unibanco), a partir de 2034, previstas no negócio inicial.

O ACC prevê a possibilidade de aquisição de participação adicional, pelo Itaú Unibanco, a partir de 2022, de 12,5% do capital total da XP. Se houver, essa aquisição terá de ser submetida a novo processo de autorização do BC, que a analisará considerando as condições no momento. Se a operação vier a ser aprovada e realizada, o Itaú Unibanco passaria a deter 40% do capital votante da XP (portanto, menos que o necessário para o controle).

O Itaú Unibanco fica impedido de indicar diretor para as áreas financeira e de operações da XP, de ter acesso à base de dados de clientes e de prestadores de serviços relacionados com as operações dessa instituição e de influenciar as reuniões do seu grupo de controle, previstas para serem realizadas previamente às assembleias. O Itaú tampouco pode adquirir o controle ou participação em outras plataformas abertas de investimento.

A XP, por sua vez, não poderá privilegiar o Itaú Unibanco na contratação de operações e de serviços bancários relacionados à movimentação de recursos de seus clientes e deverá divulgar regras para inclusão e para exclusão de participantes na plataforma.

Emissões de debêntures alcançam recorde de R$ 83,1 bilhões em 2018 até julho

O volume de emissões de debêntures entre janeiro e julho de 2018 alcançou R$ 83,1 bilhões, em 149 operações, o maior para o período da série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O resultado é o terceiro maior se comparado aos volumes anuais de debêntures: por enquanto perde apenas para 2012, quando foram R$ 90 bilhões de janeiro a dezembro, e para o recorde de R$ 96,3 bilhões em 2017.

Considerando apenas as debêntures de infraestrutura (regidas pela Lei 12.431), as emissões continuam no maior patamar da história, em R$ 13,2 bilhões, com 28 operações realizadas em 2018. “Nosso mercado de capitais está cada vez mais ativo e organizado e as empresas estão encontrando nele opções importantes para os financiamentos de seus projetos”, afirma o diretor da Anbima José Eduardo Laloni, em comunicado.

Entre janeiro e julho, as companhias captaram R$ 131,9 bilhões no mercado de capitais brasileiro, volume 36% maior do que no mesmo período do ano passado. Desse total, R$ 116,4 bilhões foram movimentados por instrumentos de renda fixa (incluindo as debêntures), a partir de 323 emissões. Os fundos imobiliários registraram R$ 8,6 bilhões no mesmo período, com 42 operações. Já na renda variável não houve movimentos nos últimos três meses e o total acumulado no ano é de R$ 6,8 bilhões a partir de quatro operações.

No mercado externo, as captações das empresas brasileiras acumularam R$ 40,8 bilhões até julho deste ano, contra os R$ 55,4 bilhões alcançados no mesmo período de 2017. Foram 18 emissões realizadas exclusivamente por ativos de renda fixa.

Amec critica medida na Câmara que prevê dirigentes partidários em estatais

politicosA Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) divulgou um comunicado no qual critica a proposta de alteração da Lei 13.303, aprovada pela Câmara dos Deputados em 11 de julho, por meio do Projeto de Lei 6.621/2016, que permite a indicação de dirigentes partidários e outros agentes políticos para compor os órgãos de governança das empresas estatais.

“A Amec roga aos senadores que revertam este retrocesso, preservando assim um dos principais avanços trazidos pela Lei das Estatais. Ao invés de retroceder a uma época de indicações políticas indiscriminadas, nossos associados consideram importante continuar progredindo na melhoria das práticas de governança das empresas estatais, sob a luz dos Princípios da OCDE”, diz a associação no documento.

A Amec destaca ainda que as empresas de economia mista são parte importante do mercado acionário brasileiro e por essa razão tem acompanhado e colaborado nos debates e iniciativas que visam o aprimoramento da governança corporativa dessas entidades.

UBS prevê Ibovespa aos 78 mil pontos no final de 2018

O UBS projeta o Ibovespa no final de 2018 ao redor dos 78 mil pontos – nesta quarta-feira, 8 de agosto, o benchmark operava na casa dos 80,4 mil pontos. A estimativa anterior do banco para a pontuação do índice em dezembro era de 73 mil pontos, e foi revisada para refletir a queda do CDS do Brasil nos últimos 30 dias. Os estrategistas do UBS Alan Alanis e Sambuddha Ray escrevem em relatório que as notícias sobre as eleições de outubro continuarão a ser o principal guia para o desempenho do mercado acionário brasileiro nos próximos meses.

Os especialistas da instituição financeira também informaram no documento que, em um cenário de otimismo, com alta do mercado acima do esperado no momento diante de uma fragmentação dos candidatos da esquerda e fortalecimento de uma candidatura reformista, a projeção para o Ibovespa no fim do ano sobe para 94 mil pontos. Por outro lado, caso o cenário seja pior do que o estimado, o cálculo dos estrategistas do UBS aponta o índice em 65 mil pontos. Analis e Ray destacam ainda no relatório seus seis papéis preferidos na Bovespa, que são IRB, Tim, Localiza, Raia Drogasil, Itaú e Suza

GWI Asset solicita AGE com o objetivo de destituir membros do conselho da Gafisa

A gestora GWI Asset Management enviou à Gafisa, empresa da qual detém participação acionária superior a 5%, correspondência requerendo convocação de Assembleia Geral Extraordinária para deliberar sobre a destituição de todos os membros do Conselho de Administração e eleição dos novos membros para ocuparem os cargos. Segundo fato relevante divulgado pela Gafisa, será facultado aos acionistas da companhia, quando convocada a Assembleia, a utilização do boletim de voto a distância, e a inclusão de candidatos, na forma da regulamentação aplicável.