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Renúncia de Moro derruba bolsa e faz dólar disparar

O Ibovespa fechou na sexta-feira (24/04) com queda de 5,45%, a 75.330 pontos, em consequência da renúncia de Sergio Moro ao Ministério da Justiça, após o presidente Jair Bolsonaro ter assinado a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. O agora ex-diretor-geral da Polícia Federal havia sido conduzido ao cargo por Moro, que não concordava com sua demissão. Em pronunciamento no qual apresentou a renúncia, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir nas ações da Polícia Federal, para beneficiar familiares e parlamentares de seu relacionamento.
Além da crise política no Brasil, também o pessimismo global, com queda das principais bolsas europeias, contribuiu para a queda do Ibovespa, índice que durante o dia cegou a recuar 9,54%, tocando mínima de 72.040, antes de fechar com queda de 5,45%, a 75.330 pontos. Além do recuo do Ibovespa, também o dólar sentiu o efeito da crise política, fechando na sexta-feira em forte alta, a R$ 5,65.

XP anuncia parceria com a Wellington Management

A XP Investimentos firmou parceira com a estado-unidense Wellington Management, uma das maiores gestoras independentes do mundo, para oferecer a investidores brasileiros acesso a produtos internacionais via fundos locais. Já estão disponíveis na plataforma da XP duas opções, com e sem proteção cambial, do Wellington Ventura Advisory, fundos domiciliados no Brasil dedicados ao investimento em um fundo de ações global oferecido pela asset estrangeira.
Fundada em 1928 por Walter L. Morgan, a Wellington responde pela gestão de cerca de US$ 1,1 trilhão. Com seu quartel-general instalado em Boston, Massachusetts, a gestora contabiliza 806 profissionais de investimentos, 11 escritórios fora dos Estados Unidos e mais de 2,2 mil clientes em 60 países.

IMA tem retorno negativo de 0,99% no primeiro trimestre

Os títulos públicos federais refletidos pelo Índice de Mercado Anbima (IMA-Geral), da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) tiveram retorno médio negativo de 0,99% no primeiro trimestre deste ano. O resultado foi puxado pelo recuo de 1,98% do indicador em março, com a volatilidade do mercado desencadeada pela pandemia de Covid-19.
Os títulos indexados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram os mais afetados no período. O IMA-B 5+, que acompanha as NTN-Bs com prazos maiores do que cinco anos, apresentou variações negativas de 10,93% no mês e de 10,62% no trimestre. O IMA-B5, que reflete os papéis que vencem em até cinco anos, teve quedas de 1,75% em março e de 0,57% no acumulado dos três primeiros meses do ano.
Os títulos pré-fixados de prazos mais curtos foram os menos impactados pela crise, de acordo com os retornos positivos no trimestre de 1,43% do IRF-M1, que acompanha as LTNs e NTNs de até um ano, e de 1,44% do IRF-M1+, que reflete os papéis com prazos acima de um ano. Em março, esses indicadores apresentaram, respectivamente, ganho de 0,60% e recuo de 0,47%.
Entre os títulos corporativos, refletidos pelo Índice de Debêntures Anbima (IDA), todos os indicadores apresentaram recuos em março e no primeiro trimestre. Os ativos indexados ao DI, representados pelo IDA-DI, tiveram queda de 4,87% no mês e de 4,09% no ano. Já as debêntures incentivadas, com vencimentos mais longos, acompanhadas pelo IDA-IPCA Infraestrutura, tiveram variações negativas de 6,04% e de 4,51%, respectivamente.

Ibovespa tem maior valorização semanal desde 2016

A valorização do Ibovespa nesta semana de Páscoa, com apenas quatro dias de pregão, foi a maior dos últimos anos, registrando alta de 11,71% segundo levantamento feito pela empresa Economática. A elevada alta só perde para a da semana encerrada em 4 de março de 2016, quando o Ibovespa registrou crescimento de 18,01%.
O Movimento do principal índice da B3 tem sido errático, variando ao sabor das notícias boas ou más a respeito da pandemia do coronavirus e suas consequências na economia e na vida das empresas. Na semana passada, encerrada em 3 de abril, o Ibovespa registrou baixa de 5,29%, enquanto na anterior, encerrada em 27 de março, o índice registrou alta de 9,48%. Na semana encerrada 20 de março o principal índice da B3 teve sua pior marca dos últimos anos, caindo 18,87. Veja abaixo:
Semana de 6 a 9 de abril: +11,71%
Semana de 30 de março a 3 de abril: -5,29%
Semana de 23 de março a 27 de março: +9,48%
Semana de 16 de março a 20 de março: -18,87%

Despesas com crise levam à emissão de NTN-Bs com taxas mais altas

grafico setaacimaOs fundos de pensão, que nos últimos anos vinham reclamando da queda das taxas de juros das NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional - Série B) a níveis bem abaixo do seu atuarial, já começam a perceber uma inversão dessa tendência. NTN-Bs longas pagando entre 4,5% e 5% já não são uma novidade no mercado. Nesta quarta-feira, 08/04, havia negociações de títulos com vencimento para 2040 a taxas de IPCA + 4,59%, vencimento para 2035 a taxas de IPCA + 4,72%, vencimento para 2055 a taxas de IPCA + 4,76%, todos com juros semestrais.
Com a pandemia do coronavirus o governo está sendo obrigado a emitir títulos para fazer frente às despesas inesperadas gigantescas de combate aos efeitos da crise do Covid 19 na sociedade, tanto na área de saúde quanto na economia, oferecendo taxas atraentes e abrindo uma frente de oportunidades para os investidores de longo prazo. São papéis com liquidez, livres de risco de crédito, e com remuneração acima das metas atuariais dos fundos de pensão.
Segundo a consultoria Consultorys, os fundos de pensão encontram nesses papéis a “oportunidade de trazer segurança a seu portfólio, e, ao mesmo tempo, ter ganhos extraordinários no futuro, apenas replicando o que fazem de melhor, comprar Títulos Públicos Federais”. Em uma análise feita pela consultoria, para aproveitar a oportunidade “é necessário utilizar caixa para investir no momento, não adianta assumir prejuízos atuais em busca de esperança de recuperação, afinal, não é natural uma gestão especulativa nos fundos de pensão”.
Segundo a Consultorys, comandada pelo consultor Dionysio Jorge da Silva, “no cenário atual, as entidades deverão sofrer com uma rentabilidade negativa no 1º trimestre, seja pela exposição aos títulos públicos em MtM (Market-to-Market) ou a Renda Variável, e não há perspectiva em alcançar as metas atuariais até o final do ano. Os controles de mitigação de riscos de mercado como os limites do VaR (Value at Risk), certamente serão extrapolados, em decorrência da volatilidade impressionante que apresentou o mercado financeiro global em 2020”. Na análise da consultoria “essa extrapolação deve ser compreendida pelos Conselhos Fiscais, agente fiscalizador do cumprimento das Políticas de Investimentos das EFPC, devido ao risco sistêmico apresentado”.

Emissões de títulos privados somam R$ 19,7 bilhões em março

As emissões das empresas brasileiras no mercado de capitais totalizaram R$ 19,7 bilhões em março, somando R$ 81,4 bilhões no primeiro trimestre. De acordo com o Boletim de Mercado de Capitais da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), mesmo com a crise desencadeada pela pandemia de Covid-19, as captações acumuladas no ano avançaram 34% sobre igual período de 2019, quando atingiram a marca de R$ 60,6 bilhões.
Em março, 28 operações com debêntures movimentaram R$ 5,6 bilhões, o maior volume entre os demais instrumentos. No ano, 67 emissões de debêntures acumularam R$ 16,8 bilhões, ante R$ 28,1 bilhões no mesmo intervalo de 2019, ainda que com número menor de operações (56). As ofertas de ações concentraram o maior montante captado no primeiro trimestre, R$ 31,2 bilhões, com resultado impactado pelo follow-on (oferta subsequente) da Petrobras, de R$ 22 bilhões. No mês de março, foram contabilizados três IPOs (ofertas iniciais), somando R$ 2,6 bilhões.
Entre as demais ofertas realizadas em março, destacam-se as de fundos de investimento em direito creditórios (FIDCs), com R$ 4,6 bilhões, e as de fundos imobiliários (FIIs), com R$ 3,7 bilhões. No acumulado do primeiro trimestre, chegam a R$ 13,1 bilhões e a R$ 10,5 bilhões, respectivamente, superando com folga os resultados obtidos no mesmo período do ano passado, de R$ 7,3 bilhões e de R$ 6,5 bilhões, na mesma ordem.
Até o fim de março, o mercado de capitais contava com quinze operações em andamento, de Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRAs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), FIDCs e fundos imobiliários, somando R$ 6,9 bilhões. Outras 41 ofertas, incluindo debêntures, CRAs, CRIs, FIDCs, IPOs e FIIs, estão em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou pelo convênio entre a ANBIMA e a autarquia, podendo chegar a R$ 5,5 bilhões.
As empresas brasileiras não realizaram operações no mercado externo durante o mês de março. No primeiro trimestre, nove ofertas de renda fixa e uma de renda variável totalizaram R$ 38,7 bilhões (US$ 9,1 bilhões).

Fundos de ações têm captação líquida de R$ 8,3 bilhões em março

Os fundos de ações registraram captação líquida de R$ 8,3 bilhões em março, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). No primeiro trimestre, a classe acumula entradas líquidas de R$ 45 bilhões, ante R$ 16,7 bilhões no mesmo período de 2019.
No total da indústria de fundos, a crise desencadeada pela pandemia da Covid-19 gerou resgates líquidos de R$ 31,2 bilhões em março. O saldo dos três primeiros meses de 2020 permanece positivo, com R$ 6,8 bilhões, mas representa queda em relação ao mesmo intervalo de 2019, quando foram registrados R$ 65,2 bilhões.
Além da classe de ações, os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) e os fundos cambiais tiveram aportes de recursos em março, de R$ 478,4 milhões e de R$ 790,5 milhões, respectivamente. Apesar das captações de R$ 5,1 bilhões e de R$ 4,9 bilhões no período, as movimentações dos Exchange Traded Funds(ETFs) e dos Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDCs) foram concentradas em fundos específicos.
Entre as classes com resgates em março, a de renda fixa foi a mais impactada, com R$ 42,9 bilhões. No primeiro trimestre, os fundos de renda fixa acumulam saídas líquidas de R$ 63,6 bilhões. Os multimercados e os fundos de previdência tiveram resgates líquidos de R$ 5,1 bilhões e de R$ 3 bilhões, respectivamente, no mês, mas seguem com captações positivas de R$ 14,4 bilhões e de R$ 2,6 bilhões no ano.
Em linha com os desempenhos dos indicadores de mercado IMA Geral (Índice de Mercado ANBIMA) e Ibovespa, que tiveram quedas de 1,98% e de 29,9% em março, as rentabilidades dos fundos também foram afetadas no mês. Os fundos do tipo ações livre, que representam o maior patrimônio líquido da classe de ações, tiveram recuo médio de 30,12%, no mês. Entre os multimercados, o tipo livre apresentou variação negativa mensal de 4,61%. Na renda fixa, os tipos mais representativos, duração baixa grau de investimento e duração livre grau de
investimento, registraram retornos negativos de 0,06% e 0,1%, respectivamente.

Março de 2020 foi o segundo pior mês da história do Ibovespa

A crise econômica instaurada por conta da disseminação do novo coronavírus fez com que março de 2020 entrasse para a história como o 2º pior mês do Ibovespa (ver listagem abaixo). É o que aponta um levantamento realizado pelo buscador de investimentos Yubb. No último mês, a bolsa de valores teve seis circuit breakers, sendo o último em 16/03, quando o Ibovespa chegou a cair 13,92%.
"Março foi o pior mês desde 1998, superando até o pior momento da crise de 2008: bateu o recorde de circuit breakers em um único mês e nenhuma ação do Ibovespa fechou no positivo", comenta Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb. "Apesar do mês negativo, no recorte das semanas houve uma curva de recuperação, os últimos dias de março não foram os piores do mês. E a gente tende a viver este período de volatilidade, principalmente enquanto não houver uma vacina ou um tratamento que contenha a pandemia do coronavírus".

Ranking dos piores meses do Ibovespa:
1º- Ago/1998: Crise russa (-39,55%)
2º- Mar/2020: Coronavírus (-29,90%)
3º- Out/2008: Crise do subprime (-24,80%)
4º- Out/1997: Crise asiática (-23,83%)
5º- Dez/1998: Crise russa (-21,40%)
6º- Ago/1997: Crise asiática (-17,58%)
7º- Set/2001: Ataques terroristas (-17,17%)
8º- Set/2002: Crise argentina (-16,95%)
9º- Fev/1995: Crise mexicana (-15,81%)

Na contramão da crise, Comgás valoriza 24,94% no 1º trimestre

As ações da Comgás encerraram o primeiro trimestre de 2020 com uma valorização de 24,94%, a maior dentre as 281 empresas da bolsa. A performance pode ser considerada uma façanha tendo em vista a queda de 36,86% do Ibovespa no período, a maior já registrada em um período de três meses desde 1968. Até então a maior queda (-36,25%) havia sido no terceiro trimestre de 1986. Apenas no mês de março, a desvalorização do benchmark foi de 29,91%, a quarta maior da série histórica. A maior baixa mensal do índice, de 56,17%, foi em março de 1990.

Além da Comgás, somente outras três ações encerraram o primeiro trimestre do ano em campo positivo - Telefônica (5,11%), Biosev (2,47%) e João Fortes (1,89%). A Economatica considerou apenas as ações com volume médio diário de negociação superior a R$ 1 milhão. Na outra ponta, as ações da Dommo, com um tombo de 78,84%, lideram as perdas da bolsa nos três primeiros meses de 2020. Em seguida aparecem as ações da PPLA (-78,50%), do IRB (-75,15%) e da CVC (-74,66%).

Já o dólar, cotado a R$ 5,1987, teve uma apreciação frente ao real de 28,98% no primeiro trimestre do ano, a terceira maior alta triemstral desde o início do Plano Real - a maior foi no primeiro trimestre de 1999, quando a moeda americana disparou 42,47%.

Valor de mercado - As empresas brasileiras de capital aberto tiveram uma perda de valor de mercado da ordem de R$ 1,56 trilhão de janeiro a março, o que corresponde a cerca de 1/3 do total do volume de aproximadamente R$ 4,5 trilhões das companhias com ações na bolsa local, segundo o levantamento da Economatica. A maior parte das perdas se concentrou no mês de março (R$ 1,18 trilhão).

Com uma baixa de R$ 223,6 bilhões, para R$ 183,6 bilhões, a Petrobras liderou as perdas de valor de mercado na Bovespa. Na sequência aparece o Bradesco, com uma redução de R$ 123,1 bilhões em seu valor de mercado, para R$ 158,9 bilhões e o Itaú, que perde R$ 116,2 bilhões no período, passando a valer R$ 220 bilhões.

MPF solicita devolução de R$ 5,3 bilhões à Petros e Funcef no caso do FIP Florestal

A Força-Tarefa Greenfield do Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação de improbidade administrativa contra 16 pessoas e as empresas Millar Importação e Exportação, Ribeiro Tristão Comissaria de Café e JR-M Participações, por fraudes bilionárias contra participantes dos fundos de pensão Funcef e Petros. O MPF pede a condenação por improbidade administrativa e o ressarcimento integral dos danos causados aos fundos de pensão. Além da condenação e da restituição do prejuízo, os procuradores reivindicam o pagamento do triplo dos danos causados, bem como a reparação sobre o valor das propinas envolvidas. Caso condenados, os acusados terão que arcar com quase R$ 5,3 bilhões em multas e reparação de danos. O documento enviado à Justiça conta com algumas informações de colaborações premiadas, entre elas a de Joesley Batista.

Segundo o MPF, o esquema foi articulado entre 2009 e 2015, em meio a aportes de capital dos fundos de pensão no FIP Florestal – cujos principais participantes eram Joesley Batista e Mário Celso Lopes, além das entidades previdenciárias. Posteriormente, houve uma negociação para que a Florestal S/A fosse incorporada pela Eldorado S/A, também pertencente aos dois empresários citados. As manobras foram autorizadas pelos gestores dos fundos, em flagrante benefício a Joesley e Mário Celso, destaca o ministério público.

A força-tarefa relata que os ex-executivos da Petros e da Funcef concordaram que fossem aportadas cifras milionárias no FIP Florestal, sem observarem deveres de diligência e análise de riscos. As medidas adotadas receberam como “incentivos” pagamentos de propinas efetuados por Joesley, aponta o MPF, complementando que foi verificada ainda a utilização de laudos elaborados de forma fraudulenta por empresa diretamente vinculada ao capital da Florestal, superestimando o valor da produtora de celulose. “Tal manobra facilitou a autorização dos investimentos que, à época, ultrapassaram a marca de meio bilhão de reais”.

Os procuradores consideram o processo que culminou com a incorporação da Florestal pela Eldorado – apenas pouco mais de um ano depois dos aportes – ainda mais grave. Os empresários beneficiados arquitetaram a supervalorização da Eldorado (que pertencia só a eles) por meio de nova e fraudulenta avaliação econômica. O processo, que também contou com pagamento de vantagens indevidas, tinha o objetivo de diluir a participação das entidades de previdência após a incorporação. Com isso, os fundos de pensão terminaram, após o processo de reestruturação, com menos ações da companhia do que fariam jus se fosse respeitado o valor justo de mercado.

O esquema proporcionou a Joesley Batista e a Mário Celso “o controle de uma nova grande empresa sem precisar ter realizado o investimento condizente com o valor de tal empreendimento. Com a fusão, foi possível obter, junto ao FGTS e Caixa (entre outros bancos), financiamentos e empréstimos que permitiram alavancar ainda mais o valor da Eldorado, hoje uma das líderes do mercado de celulose no Brasil”.