XP estreia na Nasdaq com valorização superior a 20%

A XP, plataforma brasileira de distribuição de fundos, fêz hoje (11/12) sua estreia na Nasdaq, bolsa de valores de Nova Iorque, com alta de mais de 20% em relação à precificação da véspera, que era de US$ 27,00, com a empresa sendo avaliada a US$ 14,89 bilhões. Às 14h54 de hoje os papéis apresentavam alta de 26,85%, a US$ 34,25.  Os ativos são negociados na bolsa americana sob o código “XP”.

A XP informou na véspera a venda 72,51 milhões de ações classe A, da quais 42,55 milhões fazem parte da oferta primária e o outro lote, de 29,96 milhões da oferta secundária, vendidas pelos sócios executivos da XP e pelos fundos de private equity General Atlantic e Dynamo.

FIDCs registram captação recorde de R$ 50,65 bilhões até outubro

 

Os fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs) estão em alta na praça. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que a captação líquida desses veículos nos dez primeiros meses do ano alcançou a cifra recorde R$ 50,65 bilhões, superando em 235,43% o pico anterior, registrado em 2008. Não por acaso, portanto, o patrimônio líquido dos FIDCs atingiu, em outubro, a marca inédita de R$ 190,75 bilhões, 47,60% a mais do que em dezembro de 2018.   

“O segmento segue a atrair recursos, em razão da queda dos juros dos títulos públicos, e trata de oferecer novas opções aos investidores. Dois ‘lastros’ que vem ganhando espaço nas carteiras desses fundos, nos últimos meses, são precatórios e recebíveis não performados”, comenta Daniel Pegorini, CEO da Valora Gestão de Investimentos, que conta com quatro FIDCs e prepara os lançamentos de outros quatro para o primeiro trimestre de 2020.

Segundo Anbima, 34% dos investimentos deste ano vieram do mercado de capitais

Exatos 34% dos investimentos realizados pelas empresas no Brasil entre janeiro e setembro deste ano foram levantados junto ao mercado de capitais. Segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), de um investimento total de R$ 833,8 bilhões realizados no período, R$ 282,0 bilhões foram emitidos via instrumentos do mercado de capitais.

As informações da Anbima se baseiam no relatório do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre do ano,  divulgado na terça-feira (03/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em comparação com o mesmo período do ano passado houve um avanço de 9 pontos base e em relação a 2017 o crescimento é de 15 pontos base. O resultado só é ligeiramente pior que o mesmo período de 2010, quando o mercado de capitais forneceu 34,9% dos investimentos totais das empresas, mas deve ser lembrado que naquele ano o PIB cresceu 7,5%.

Debêntures - As debêntures são destaque no período, representando 15% dos investimentos,  o mesmo patamar registrado no ano anterior. Já as ações têm participação menor, somando 7% entre as Ofertas Públicas Iniciais (IPOs) e as chamadas emissões subsequentes, ou follow-ons.

“Ainda há um longo caminho a ser percorrido. A construção civil, por exemplo, está retomando suas atividades de forma mais sustentada, o que vai refletir em breve nos ativos com lastro neste segmento. O ideal é que a taxa de investimento cresça em maior ritmo nos próximos anos. Com esse novo mix de política econômica, certamente o mercado de capitais acompanhará a trajetória”, diz José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima.

 

Santander ultrapassa Itaú em rentabilidade sobre patrimônio

A Rentabilidade Sobre o Patrimônio (ROE) do Santander Brasil ultrapassou a do Itaú Unibanco no período de 12 meses encerrados em setembro último, segundo levantamento da consultoria Economática. A consultoria pesquisou 45 bancos em todo o mundo, com ativos acima de U$ 100 bilhões, e o ROE dos bancos brasileiros estão no topo da lista no período.

O Santander Brasil registrou ROE de 19,25% no período, seguido pelo Itaú Unibanco com 18,59%, Bradesco com 17,97% e Banco do Brasil com 17,71%. Na quinta colocação está o Royal Bank of Canadá com 16,13%, seguido pelo banco HDFC Bank da Índia com 15,29% e Northern Trust Corp dos Estados Unidos com 14,46%. Na lista dos 10 maiores ROEs em 12 meses até setembro de 2019, o 8º lugar coube ao Canadian Imperial Bank of Commerce do Canadá, com 14,34%, seguido pelo US Bancorp dos Estados Unidos com 14,02% e pelo Bank of Nova Scotia do Canadá, com 13,46%.

A base de dados da Economatica é composta por 453 bancos da América Latina, Estados Unidos e outras partes do mundo com ADRs (American Depositary Receipt) negociados no mercado norte-americano.

Evolução – Segundo a consultoria, o ROE do Santander Brasil sempre foi inferior a 10% no período entre setembro de 2008 e junho de 2015, tomando impulso a partir do 2° trimestre de 2016 quando saiu de 8,3% para 19,25% no 3° trimestre de 2019, sempre considerando o período de 12 meses acumulados.

Já com o Itaú Unibanco vem ocorrendo o contrário, pois sempre foi o banco mais rentável entre o 3° trimestre de 2014 e o 2° trimestre de 2018, mas passou a alternar a liderança com o Santander Brasil a partir do 4° trimestre de 2018 segundo o estudo da Economática.

CVM diz que QBank não pode captar clientes

A Comissão de Valores Mobiliários (CV M) divulgou nota alertando que QBank Investimentos não está autorizada a captar clientes residentes no Brasil. Segundo a CVM, a empresa tem divulgado por diversos meios (incluindo o site www.qinvestimentos.com e publicidade em jornais de grande circulação) seus serviços de intermediação de valores mobiliários.  Diante disso, a autarquia determinou a suspensão de veiculação de qualquer oferta desses serviço por parte da empresa.

Valorizando expert em risco | A valorização dos especialistas com cenário de queda dos juros aquece a demanda por cursos específicos em instituições de ensino de ponta

Iniciada no segundo semestre de 2016, a progressiva redução da taxa Selic e, por tabela, da remuneração oferecida pelos títulos públicos federais vem impondo aos gestores de recursos e investidores institucionais o desafio de aumentarem a exposição de suas carteiras a ativos de comportamento menos previsível. É uma mudança que está contribuindo para a valorização crescente, aos olhos do mercado, de profissionais com especialização em análise de riscos.
“A nova realidade, ditada pelos juros baixos, já começa a demandar perfis técnicos diferenciados”, diz Guilherme Veloso Leão, diretor executivo e responsável pela comissão técnica de investimentos da Associação Brasileiras das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). “Os profissionais da área de riscos terão de ampliar seu repertório. Além de ações, que tendem a ganhar espaço nas carteiras de investimento, terão de aprofundar conhecimentos sobre o mercado externo e fundos de participações, entre outras opções.”
A curva salarial desses técnicos tem viés ascendente. O recém-lançado “Guia Salarial 2020”, da consultoria de recursos humanos Robert Half, especializada em recrutamento para os segmentos financeiro e de seguros, aponta entre os oito destaques para o próximo ano – de um total de 53 postos pesquisados no mundo das finanças – os cargos de gerente e analista de crédito e riscos, cujas remunerações médias apresentaram saltos de 4% e 7%, respectivamente, ao longo dos 12 últimos meses. “Essa valorização é fruto também, de forma simultânea, do expressivo crescimento das plataformas digitais de investimentos e da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados”, observa a gerente de recrutamento Ana Carla Guimarães. “A expertise em riscos e compliance na esfera digital está em alta no mercado de trabalho.”
Não por acaso, portanto, é forte a procura por cursos na área. A Fipecafi, escola ligada à Universidade de São Paulo (USP), registrou neste ano um crescimento de 50%, para 42 alunos, nas inscrições para a sua pós-graduação em Gestão de Governança, Risco e Compliance. A expectativa é de um novo salto em 2020, já que as consultas, antes mesmo da abertura das matrículas, são intensas. “Estamos avaliando a criação de mais vagas e, também, a oferta do curso a distância, o que, se ocorrer, deverá gerar pelo menos cem inscrições adicionais”, diz o coordenador de cursos de pós-graduação Estevão Garcia de Oliveira Alexandre. “Outro projeto em estudo prevê o lançamento de novos cursos, mais específicos, sob o mesmo ‘guarda-chuva’. Há quatro opções em análise.”
Surgida em 2017, a partir de um antigo curso de controles internos, a pós-graduação da Fipecafi se estende por 12 meses, com carga total de 360 horas. Mais recentemente, ganharam mais espaço em sua programação conceitos sobre governança corporativa, compliance e controles internos, assim como a Lei Geral de Proteção de Dados. Antes frequentadas basicamente por profissionais de instituições financeiras e grandes empresas, as aulas passaram a contar, nos últimos anos, com grupos expressivos de engenheiros, contadores e administradores. “Há pouco tempo, começamos a registrar também a participação de executivos de fundos de pensão. É um reflexo da Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional, de maio de 2018, que estabeleceu novos padrões para as entidades fechadas de previdência complementar”, observa Alexandre.

Ajustes na grade – Atenta ao quadro macroeconômico, a Fundação Instituto de Administração (FIA), prepara ajustes na grade curricular de sua Pós-Graduação em Produtos Financeiros e Gestão de Riscos, já de olho na próxima turma, cujas aulas terão início em março de 2020. Ditadas pelos juros baixos, as mudanças incluem abordagens reforçadas de produtos e ativos de risco, como fundos imobiliários (FIIs) e ações, e de estilos de gestão mais agressivos, para colher retornos maiores. “No novo cenário, o risco tem de ser trabalhado com muito mais propriedade”, observa Roy Martelanc, coordenador dos MBAs e das Pós-Graduações em risco e compliance. “Até há pouco, bastava apostar em Notas do Tesouro Nacional, as NTNs. Agora a situação requer inteligência.”
Com 18 meses de duração e carga de 378 horas, o curso é um dos raros do gênero que exigem trabalhos de conclusão. Como abrange conteúdos requeridos em certificações valorizadas no segmento financeiro, casos da Chartered Financial Analyst (CFA) e da Professional Risk Manager (PRM), a pós é demandada primordialmente por gente do setor. “Os professores falam a mesma língua dos alunos, já que todos eles têm experiência no mercado financeiro”, diz Martelanc. “De quebra, estamos sempre de olho em novos comportamentos dos investidores.”

Compra da Adtalem pela Yduqs é estratégica | Aquisição torna empresa player relevante na área de ensino de qualidade no Brasil

A Yduqs, novo nome da empresa de educação Estácio, fechou a maior transação de sua história ao comprar a Adtalem Brasil, dona da escola de negócios Ibmec e do Damásio, especializado em cursos preparatórios para concursos públicos e exames da OAB e também com presença na área de Medicina.
Do alto de suas planilhas, os analistas a princípio acharam que o valor de R$ 1,9 bilhão da transação foi alto demais. Mas não puderam ficar só no que os números mostram. Tiveram que reconhecer que, além de ser positivo puramente sob os aspectos de complementariedade e diversificação, a aquisição é “transformacional”. Fará da Yduqs um player relevante no nicho de ensino de qualidade no país, em vez de uma rede focada na população de renda mais baixa.
A equipe do banco de investimentos JP Morgan observou que o Ibmec, na visão deles, é uma das poucas marcas realmente premium no setor de educação no Brasil.
“O negócio gera valor para a Yduqs pelas sinergias e pelos ganhos ‘intangíveis’ do novo posicionamento de qualidade que a Adtalem traz. Isso vai ampliar as possibilidades de crescimento e trazer novas oportunidades para a empresa”, afirmou o analista do Safra, Marcio Osako. Foi ele quem melhor definiu a nova cara da Yduqs, ao escrever em relatório que o negócio afasta a possibilidade de uma fusão com a Ser, gigante do ensino mais popular no Nordeste; e ao mesmo tempo aumenta as chances de uma união com Ânima, que também busca um diferencial de ensino.

A concorrente – Após a conclusão do negócio, as ações da empresa bateram na máxima histórica, cotadas a R$ 42,00. No ano, a alta acumulada é de 64%, bem superior à valorização da concorrente Cogan (ex Kroton) que subiu 12% no mesmo período.
É uma alta expressiva para uma empresa que sempre foi apontada como o patinho feio do setor. A Yduqs está hoje em todos os Estados do Brasil, à exceção de Tocantins e Acre. Tem presença relevante mesmo no Rio de Janeiro, mercado considerado difícil para as empresas pela guerra de preços e a força negocial dos sindicatos de professores. Mantendo essa posição, Yduqs era a segunda do setor e um alvo potencial para uma concorrente, uma vez que entrar do zero no Rio sempre foi considerado um desafio.
Assim como todas as outras do setor com ações negociadas em bolsa, a empresa cresceu no embalo do Fies, programa de financiamento estudantil do governo Dilma. Quando o Fies mingou, acabou negociando uma fusão com a Cogna (ex-Kroton) , o que levou a empresa a ficar paralisada entre os anos de 2016 e 2017, à espera da análise da operação pelo Cade. O negócio foi vetado e a aproximação com a Cogna acabou ficando para trás.
A Yduqs não tinha um acionista controlador, pois perdeu seu principal executivo no processo de fusão e sofreu com a troca de quatro presidentes até que, há dois anos, o fundo de private equity Advent comprou ações da empresa e assumiu o comando. Agora, a expectativa é que o fundo faça com a nova Estácio o mesmo que fez com a antiga Kroton a transforme na líder do setor.
“ A compra da Adtalem tende a ser o catalisador de negócios que a Yduqs tanto precisava”, afirmou Samuel Alves, analista do BTG Pactual.
A Yduqs tem hoje 576 mil alunos, receitas de R$ 3,6 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 1,1 bilhão em 12 meses até 30 de julho. A Adtalem é bem menor: são 102 mil alunos, com receita de R$ 875 milhões e Ebitda ajustado de R$ 191 milhões. A união já foi autorizada pelo Cade e a companhia combinada terá, portanto, receitas de R$ 4,5 bilhões e 678 mil alunos. Capturar 100 mil alunos, da noite para o dia, já pode ser considerado um feito num momento em que crescer organicamente é um desafio, já que a farra do Fies acabou e o país ainda padece da falta de crescimento econômico.

Foco – A marca Estácio atende estudantes de renda mais baixa. Mas a empresa sempre buscou o reconhecimento pela qualidade e a prova disso é que buscou ser um player relevante nos cursos de Medicina. A mensalidade média nos cursos das faculdades adquiridas é de R$ 1 mil, enquanto na marca Estácio é 30% menor. No Ibmec, o tíquete varia entre R$ 3,5 mil e R$ 4,5 mil. A Adtalem também investiu em Medicina, incluindo cursos preparatórios para exames de residência. Esssas mensalidades superam R$ 8 mil.
Os comentários dos analistas mostram que a Yduqs vai conseguir diversificar seus negócios e fortalecer suas operações. Victor Tapia, do Bradesco, destacou que, em Medicina, a nova empresa passará de 12 para 15 unidades, com incremento potencial de 10 mil alunos. A Adtalem tem hoje 210 vagas nessa graduação e recebeu autorização para atuar na segunda fase do programa Mais Médicos. A Estácio tem 3,8 mil vagas nesse curso, que responde por 10% das receitas da empresa.
Uma unidade específica será criada dentro da empresa para cuidar apenas dos cursos de Medicina e do Ibmec, numa sinalização de que esse selo de qualidade das marcas é prioridade na operação. Para o JP Morgan, sob essa marca premium, a empresa poderá crescer em qualquer cidade que houver demanda.

Briga na Linha Amarela | Embate entre o prefeito MarcelonCrivella e a Lamsa, que administra as Linhas Amarelas, afeta fundos de pensão acionistas da concessionária

Quando o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, resolveu dar a ordem para que uma retroescavadeira destruisse a praça de pedágio da Linha Amarela, uma das artérias da cidade, intuia-se que o dirigente colocava a mão em um vespeiro. A ordem era derrubar cancelas e boxes do consórcio operado pela empresa Lamsa (Linha Amarela S/A), sob o argumento que a prefeitura carioca teria ficado com um prejuízo colossal, um mico contratual na casa de R$ 1,6 bilhão apurados em uma sindicância e encaminhado em julho ao Ministério Público do estado (ver box).
De lá para cá uma verdadeira batalha jurídica ocorreu entre as partes, liminares de toda a sorte e uma guerra midiática cujos últimos capítulos foram derrotas da prefeitura carioca na tentativa de encampação dos pedágios. Nada, porém, definitivo informam nos bastidores os advogados de ambas as partes. Apenas mais um capítulo de uma novela que está longe do fim (ver box).
Nos bastidores de toda esta confusão está não somente a vida dos motoristas cariocas, mas também o bolso de participantes de três dos principais fundos de pensão do País: Funcef (Caixa Econômica Federal), Petros (Petrobras) e Previ (Banco do Brasil). Cada um deles detém uma fatia de 25% do capital da Invepar, que controla a Lamsa. Trocando em miúdos, se a fonte de receita das Linhas Amarelas secar, fatalmente isto se traduzirá no balanço da Invepar. E afetará de alguma forma a rentabilidade da Funcef, Petros e Previ.
“A Lamsa é uma subsidiária da Invepar, uma das mais importantes do grupo, o que gera mais recursos através de dividendos. Há obviamente uma relação de interesse da Invepar na Lamsa, e consequentemente dos acionistas (os fundos)”, afirma Cristiane Spercel, analista sênior da agência de classificação de risco Moodys, que colocou em “revisão para rebaixamento” as notas (dívidas) da Lamsa e do Metrô do Rio, após o incidente com o prefeito carioca.
Pelos cálculos da Moody´s, com base no faturamento líquido da Lamsa nos últimos doze meses, a perda diária com os dias não cobrados de pedágio na Linha Amarela é de R$ 750 mil, dinheiro que indiretamente irrigaria a Invepar e consequentemente seus acionistas, os fundos de pensão. Além disso, para reparar os danos causados pelas retroescavadeira do prefeito, o gasto estimado é de R$ 3 milhões.

Silêncio – No quartel general de comunicação da Invepar, Funcef, Petros e Previ ninguém quer falar sobre o assunto. Pior, as fundações pedem para ouvir a Invepar, que por sua vez solicita que se ouçam as fundações. Na última tentativa da Investidor Institucional para se ter um parecer sobre o tema, a assessoria de comunicação da Invepar disse que “ainda é cedo para se falar em impacto econômico”.
O advogado da Funcef, Paulo Chuery, diz que “aguardam-se algumas definições para avaliar o impacto efetivo das ações judiciais entre a prefeitura do Rio e a Lamsa”. “Até porque o fato é recente, há seguro, é prematuro dizer o efeito financeiro disto tudo”, afirmou.
Para Vania Telma Lacerda de Souza, diretora-presidente da Associação Nacional Independente dos Participantes e Assistidos da Funcef (ANIPA), mesmo antes do incidente com o prefeito Crivella os resultados da Invepar não vinham bem. “A Invepar não tem apresentado boa rentabilidade aos seus investidores, não temos uma boa administração na empresa que nos garanta retorno. E ainda encontra-se pela frente um prefeito populista, que só gera insegurança jurídica, o que complica o cenário”, afirma.
A Invepar anunciou no primeiro semestre deste ano um prejuízo de R$ 537,8 milhões, contra prejuízo de R$ 281,7 milhões no mesmo período de 2018. Segundo a companhia, a piora no resultado do exercício está relacionada, principalmente, a maiores Despesas Financeiras e aumento da Depreciação e Amortização.

O que diz a prefeitura
O contrato inicial da concessão, assinado em 1994, previa que a receita integral do pedágio seria da concessionária e que os valores pagos pelos usuários da via poderiam ser revistos para manter o equilíbrio econômico-financeiro.
Mas em 2005, quando foi firmado o 9º Termo Aditivo, inclui-se uma cláusula que estabelecia não ser motivo para reequilíbrio econômico financeiro do contrato “a variação, a menor ou a maior, do volume de tráfego futuro na via expressa”.
Assim, o aumento expressivo da circulação de carros a partir do final da década de 2000, com o crescimento da zona oeste e com a realização de grandes eventos na cidade, como Copa do Mundo e Olimpíadas, não foi levado em consideração.
Em julho, sindicância administrativa feita pela Prefeitura no 11º Termo Aditivo do contrato de concessão da Linha Amarela apontou prejuízo de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos.

Crise passo a passo
25/10 – Prefeitura do RJ publica despacho cancelando contrato de concessão da Linha Amarela
27/10 – Equipes comandada pelo prefeito Marcelo Crivella destroem a praça de pedágio com retroescavadeira
28/10 – Justiça restabelece direito da Lamsa (operadora da Linha Amarela) a operar a concessão
29/10 – Prefeito envia mensagem à Câmara Municipal para encampação da Linha Amarela
01/11 – Vereadores aprovam projeto de encampação em primeira votação.
05/11 – Vereadores aprovam projeto em segunda votação e prefeito determina que seja retirada cancelas da praça de pedágio
06/11 – Prefeitura sofre derrota na Justiça que determina cumprimento da liminar que proibia a prefeitura de encampar a via, com multa diária de R$ 100 mil, e declara inconstitucional a lei aprovada pela Câmara Municipal. Além disso, a 8ª Câmara Cível derruba recurso contra o restabelecimento de operação do contrato de concessão pela Lamsa.

Regina Nunes integra o Comitê de Risco e Capital do BB

Regina Nunes, que abriu sua própria consultoria financeira em meados deste ano após mais de 30 anos atuando nesse mercado (dos quais 20 em posições de comando na agência de classificação de rating Stardard&Poors), é a mais nova integrante do Coris, o Comitê de Riscos e Capital do Banco do Brasil. O time do Coris é coordenado por Vilmar Gongora e integrado, além de Regina que iniciou as atividades em novembro, por Egidio Otmar Ames e Paulo Roberto Evangelista de Lima.

O comitê tem a função de assessorar o Conselho de Administração do Banco do Brasil em relação à gestão de riscos e de capital das instituições integrantes do Conglomerado Prudencial. Segundo Regina, suas atividades no Coris não conflitam com as da RNA Capital, sua consultoria que, segundo ela, “está a todo vapor”.

A RNA Capital foi criada em meados deste ano em parceria com duas sócias, Maria Renata Lotfi e Thays Jorge, com o foco em dar consultoria em operações estruturadas, reestruturação de capital e fusões e aquisições nas áreas de infraestrutura e agronegócio.

Lucro das empresas de capital aberto cresce 10,6% no 3º tri

O lucro consolidado de 309 empresas de capital aberto no terceiro trimestre deste ano foi de R$ 59,7 bilhões, antes R$ 54 bilhões no mesmo período de 2018. O crescimento, de R$ 5,72 bilhões no período (10,6%), foi informado pela consultoria Economática com base nos demonstrativos financeiros entregue pelas empresas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) até o dia 15 de novembro.

De acordo com o levantamento, o setor mais lucrativo é o de Bancos, com 24 instituições, que juntas lucraram R$ 21,6 bilhões no 3º tri de 2019, ante R$ 18,9 bilhões no 3º tri de 2018, um crescimento de R$ 2,66 bilhões (14,1%). Já o setor de Papel e Celulose, com quatro empresas, teve o maior prejuízo no trimestre, com R$ 3,31 bilhões negativos. O setor é influenciado pesadamente pela Suzano S.A, com prejuízo de R$ 3,46 bilhões no 3º tri de 2019.

Dos 26 setores listados pela Economatica, 15 têm crescimento e 11 têm queda de lucratividade na comparação dos dois trimestres.