Risco monitorado

Liège Oliveira Ayub, da SabesprevEdição 246

Sabesprev padroniza política de gestão de riscos e implanta  novo sistema informatizado mirando governança e ganho de eficiência

A Fundação Sabesp de Seguridade Social (Sabesprev) lançou no início de março sua política de gestão de riscos que sistema as práticas de governança que vêm sendo adotadas pela fundação desde 2010. Naquele ano foi criada uma área para cuidar da gestão de riscos da fundação e desde então foi acumulando uma série de procedimentos e práticas. Agora, a experiência de controle e monitoramento de risco será rodado através de um novo sistema. “O assunto é inerente à atividade da entidade, faz parte do nosso trabalho. Não só por uma questão de governança, mas também porque não há como gerir o patrimônio das pessoas em um horizonte tão longo sem analisar os riscos”, diz a presidente da fundação, Liège Oliveira Ayub.

A fundação trabalha seguindo a lógica de que, a partir do momento que os riscos são mapeados, eles são mitigados. Na opinião da presidente, gerir riscos é um processo que envolve cada um dos funcionários. Para ela, a dificuldade é inserir a gestão de riscos no dia dia dos trabalhadores de uma empresa. “Nestes dois últimos anos a gente tem conseguido fazer com que este assunto deixe de ser um tabu. Já identificamos estes riscos e agora conseguimos sistematizar tudo isso. Com isso pudemos criar controles para mitigar estes riscos. Estamos em um nível de maturidade que é um diferencial”, diz.

Para ajudar no controle de riscos, foi implantado um software. O sistema de gestão, desenvolvido pela Junqueira Consultores, tem todos os principais riscos cadastrados e emite alertas para os funcionários que trabalham na função, os “donos dos riscos”. “Um dos riscos é não cumprir prazos legais com o órgão regulador, por exemplo. Se isso acontece, a fundação pode ser multada e o participante prejudicado. O sistema envia alertas e evita que estes prazos sejam descumpridos”, conta Liège.

Segundo a presidente, agora é importante um processo constante de monitoramento, verificando se os controles criados são eficazes ou não. Além da sistematização compilada na política, a Sabesp, empresa patrocinadora, faz periodicamente uma auditoria para avaliar a eficácia dos controles de risco.

Para o responsável pela área de gestão de riscos da fundação, Paulo Olympio Laitano, a cultura não está totalmente implementada. Agora o desafio é fazer com que todos assimilem os objetivos da política. “Na minha visão, o desafio agora é firmar o processo e mantê-lo operando. Fazer com que o funcionário pense no risco de maneira automática. Chegamos agora a 2013 com mais uma série de riscos a ser avaliados, tomando cuidado para não afogarmos os gestores que já têm muitas responsabilidades a cumprir”, diz. Laytano acha que para que a política seja totalmente internalizada é necessário um período de três a quatro anos.

“É fácil começar, mas é difícil emplacar plenamente um programa de gerenciamento de riscos. Em muitas entidades começam e param. O nosso teve início, teve meio e agora estamos caminhando para uma sedimentação”, afirmou Laytano. Os funcionários serão incentivados ainda a identificar variáveis externas novas que possam se transformar em novos riscos.

Atualmente a Sabesprev tem um patrimônio de R$ 1,6 bilhão e uma massa de 21 mil participantes, 15 mil na ativa. A maioria deles, no plano de benefício definido, criado com a entidade em 1991. Para este plano, a meta atuarial da Sabesprev é de INPC mais 5,5%.