Multimercados da Claritas ganham do CDI no acumulado do ano

Damont1Em um ano que ficará marcado na memória de todos pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia e na sociedade, com fortes ajustes nos preços dos ativos, os multimercados da gestora Claritas têm conseguido atravessar o conturbado período de forma relativamente tranquila.
O Claritas Institucional apresenta no acumulado do ano, até 24 de março, uma rentabilidade de 135% do CDI, sendo que, apenas no mês de março, o rendimento chega a 230% do benchmark. Já os fundos previdenciários da asset de baixa volatilidade sobem ainda mais, com retorno próximo a 200% do CDI no ano, e de quase 400% no mês. No mesmo intervalo, a queda do Ibovespa é próxima dos 40%.
“Desde que começamos a vislumbrar um cenário de atividade mais fraca globalmente, começamos a fazer proteções para nossos portfólios”, afirma Damont Carvalho, gestor da Claritas. Entre as apostas certeiras da casa, Carvalho aponta os ganhos advindos da queda dos juros americanos de longo prazo e das posições compradas em euro e iene contra o dólar. Ficar vendido no Ibovespa futuro foi outra estratégia que trouxe bons frutos para os fundos da asset nos últimos dias, assim como concentrar o foco em setores de menor volatilidade da bolsa, como em utilities.
No entanto, após trazerem ganhos expressivos às carteiras dos multimercados da Claritas, esses posicionamentos mais defensivos aos poucos começam a ser alterados. “Temos gradativamente buscado algumas oportunidades, como na bolsa e nos juros nominais no mercado local”, diz o especialista.
A forte queda nos preços das ações na Bovespa, assim como a perspectiva de novos cortes da Selic pelo Banco Central, faz com que a Claritas passe a adotar estratégias mais construtivas. “Além disso, mantemos, em magnitude menor do que nas últimas semanas, posições compradas no dólar contra moedas emergentes, como o real, o yuan chinês e o peso mexicano”.
Carvalho ressalta, contudo, que as incertezas no horizonte ainda são elevadas, o que exige cautela e acompanhamento diário das posições no mercado. Embora os preços de ativos de qualidade possam estar atraentes, o gestor da Claritas ressalta que o pico da pandemia ainda não chegou ao Brasil, o que fatalmente fará com que o nível da atividade local registre um tombo significativo – para o segundo trimestre do ano, a asset prevê uma queda anual de 9%, o que levará o PIB no ano a uma queda de 0,9% (no início do ano, a estimativa da gestora era de crescimento de 2,2%, que em fevereiro já tinha sido reduzida para 1,8%).
“Um ponto que conta a nosso favor é que o Brasil está atrasado no ciclo de disseminação da pandemia em relação a outros países”, afirma Carvalho. “Se os Estados Unidos ou outro país conseguir desenvolver uma medicação, por exemplo, poderemos importá-la e reduzir o impacto localmente”. 
 
 
 
 

Fundos incentivados ampliam presença nas grades das assets

Os fundos lastreados em debêntures incentivadas de infraestrutura, que ganharam recentemente um novo marco regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), vêm conquistando espaço de forma crescente nas grades de produtos das gestoras de recursos. Desde o início de 2018, a CVM sancionou o início das operações de 48 veículos de investimento do gênero, que garantiram um reforço de 116,27% no contingente total desse nicho.  

 

A tendência reflete a explosão das emissões de debêntures incentivadas, que somaram R$ 23,89 bilhões no último ano, 161,23% a mais do que em 2017. Como resultado, os títulos em questão, regulamentados pela Lei 12.431, de 2011, aumentaram a sua presença nas carteiras de fundos de investimento em 61,85%, para R$ 6,96 bilhões, no período de 12 meses encerrado em janeiro último, segundo levantamento efetuado pela consultoria paulista ComDinheiro.