Susep reformula ferramenta de consulta a fundos previdenciários

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) reformulou sua ferramenta de consulta de desempenho de fundos de investimento previdenciários. Inserida no site da superintendência, a ferramenta ganhou um novo layout, tornou-se mais intuitiva para utilização por parte dos participantes e passou a oferecer atualização mensal dos dados dos fundos.

A ferramenta permite a classificação dos fundos por seguradora/entidade, considerando a performance ajustada ao risco. Os resultados seguem a classificação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e estão segregados por períodos de observação de 12, 18 ou 24 meses.

Previdência aberta cresce 40,4% e soma R$ 55,5 bilhões em 2019

Impulsionadas pelas discussões em torno da reforma da Previdência, a captação líquida no segmento da previdência aberta totalizou R$ 55,5 bilhões em 2019, o que representa uma expansão de 40,4% na comparação com o ano anterior, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi).

De acordo com os dados da Federação, as reservas acumuladas pelos participantes do sistema chegaram a R$ 946,8 bilhões. A indústria fechou 2019 com 13,5 milhões de participantes, sendo 10,2 milhões inscritos em planos individuais e 3,2 milhões em planos coletivos. Em 2018, eram 13,1 milhões. O balanço da FenaPrevi aponta ainda que 88,1% dos prêmios e contribuições foram direcionados para planos individuais. Os planos coletivos absorveram 10,4% dos aportes e 1,5% dos recursos foram direcionados para planos para menores.

Os planos VGBL fecharam 2019 respondendo por 90,8% dos novos depósitos. Os planos PGBL responderam por 8,5% das contribuições registradas no ano. E 0,7% dos novos depósitos foram direcionados para os planos tradicionais, não mais comercializados pelas seguradoras e entidades de previdência complementar aberta.

A queda dos juros continuou mudando a configuração da alocação de recursos dos planos de previdência em 2019. Em busca de melhor remuneração, os participantes seguem se deslocando para fundos multimercado, que fecharam o ano respondendo por 13% das aplicações. O índice era de 9,8%, em 2018, e de 7,3%, em 2017.

"Um fator importante para o crescimento de nossas reservas foi o aumento das opções no portifólio do mercado de previdência. Com a queda da taxa de juros, ampliamos a oferta de fundos multimercado, o que foi decisivo para fortalecer a atratividade dos planos de previdência”, afirma Jorge Nasser, presidente da FenaPrevi, em nota.

Brasilprev anuncia novo presidente

Marcio Hamilton Ferreira, de 48 anos, prepara-se para assumir, neste mês, a presidência da Brasilprev Seguros e Previdência, braço de seguros, capitalização e previdência privada do Banco do Brasil (BB), que tem como sócia no empreendimento a gigante estado-unidense Principal. Funcionário de carreira da instituição financeira federal há 33 anos, Ferreira, que acaba de deixar o cargo de vice-presidente de negócios de atacado do BB, substitui Walter Malieni no comando da Brasilprev. 

Graduado em administração de empresas pela Faculdade de Administração de Brasília e com MBA na Fundação Getúlio Vargas em formação geral para executivos, Ferreira atuou como diretor executivo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e presidiu, em 2015, a BB DTVM. No Banco do Brasil, entre outros cargos, foi vice-presidente de controles Internos e gestão de riscos, em 2017, diretor de crédito e de finanças e superintendente comercial para a região Sudeste.

Previdência aberta tem captação líquida de R$ 6,4 bilhões em julho

A captação líquida da previdência privada complementar aberta, representada pela diferença entre os novos depósitos e os resgates, foi de R$ 6,4 bilhões em julho, com expansão de 168,2% frente a igual mês do ano anterior. No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, a captação líquida soma R$ 26,8 bilhões, volume 38,4% maior que o verificado em igual intervalo do ano anterior.

De acordo com a FenaPrevi, entidade que representa 67 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no país, o número de brasileiros com planos de previdência somava 13,2 milhões em julho e as reservas alcançavam a marca de R$ 898,7 bilhões no mês, volume 12,9% superior ao registrado em julho de 2018.

Segundo o presidente da FenaPrevi, Jorge Nasser, “já haviam os identificado uma forte retomada das contribuições no primeiro semestre deste ano e os dados de julho confirmam que os indivíduos estão ampliando suas contribuições em planos de previdência para garantir renda complementar na aposentadoria”.

Os planos VGBL lideraram os novos depósitos, com 93% dos aportes realizados no mês de julho. Já os planos PGBL responderam por 6% dos novos ingressos no mês, enquanto o 1% restante foi direcionado para planos tradicionais, não mais comercializados pelas seguradoras.

Dos novos depósitos, 90% foram feitos em planos individuais, contra 9% em planos coletivos (oferecidos por empresas a seus funcionários) e 1% em planos tradicionais.

Reservas dos planos de previdência aberta crecem 11% em um ano

Os planos de previdência privada aberta fecharam o mês de maio com R$ 873,1 bilhões em reservas, volume 11,0% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. As informações são da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), entidade que representa as seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no país.

De janeiro a maio, as contribuições somaram R$ 45,7 bilhões, resultado 3,7% superior aos cinco primeiros meses de 2018, quando totalizaram R$ 44,0 bilhões. A captação líquida seguiu com saldo positivo de R$ 15,5 bilhões.

A modalidade individual respondeu por R$ 40,1 bilhões das novas contribuições, os planos para menores por R$ 740 milhões, e os planos coletivos registram R$ 4,8 bilhões em novas contribuições. Em relação às famílias de produtos, o VGBL recebeu R$ 41,6 bilhões e o PGBL R$ 3,7 bilhões dos aportes. Já nos planos tradicionais, as contribuições foram de R$ 300 milhões.

Os dados da federação mostram que de janeiro a maio foram contabilizados 13,2 milhões de pessoas com planos de previdência, sendo 10,1 milhões de participantes com planos individuais e 3,1 milhões com planos coletivos (oferecidos por empresas em forma de benefícios aos colaboradores, além de planos contratados por sindicatos e associações de classes para adesão de seus associados).

Segundo a FenaPrevi, os participantes estão preferindo os fundos multimercados. Até maio deste ano, 11,6% dos recursos foram alocados nesta modalidade.  O índice era de 10,2% em 2018; de 8,1% em 2017; e de 5,7% em 2016. “A trajetória de juros baixos tem exercido forte influência na estratégia de alocação das reservas dos planos de previdência privada pelos participantes, que estão buscando fundos de maior risco e rentabilidade”, avalia Jorge Nasser, presidente da FenaPrevi.

Susep passa a divulgar desempenho dos fundos previdenciários

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) começou a divulgar nesta semana uma listagem com o desempenho dos fundos de investimento previdenciários. A ferramenta, que teve a sua metodologia debatida com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), traz a classificação todos os produtos do gênero disponíveis no mercado, considerando a performance ajustada ao risco em períodos de 12, 18 e 24 meses.

A Susep acredita que, dessa forma, o consumidor terá mais transparência na avaliação final, considerando não apenas a rentabilidade do fundo, mas também as taxas de juros e biométrica. Com a iniciativa, o órgão espera ampliar a concorrência no mercado previdenciário e, consequentemente, reduzir taxas e custos. 

A listagem, que terá divulgação quadrimestral, pode ser conferida em: www.susep.gov.br/menu/servicos-ao-cidadao/performance-de-fundos-previdenciarios/view.

 

Solange Vieira toma posse na Susep e defende menor participação do Estado no setor

Solange Vieira defendeu, durante a cerimônia da sua posse como titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), uma maior participação de seguros, previdência complementar aberta e capitalização no PIB brasileiro. "Nosso índice de penetração, dado pela relação prêmio/PIB, nos coloca em relação inferior à África do Sul e ao Chile. E quando comparado com o grupo de países em desenvolvimento, estamos na 14ª posição", afirmou.
Ela também questionoi a participação do Estado como protagonista do setor de seguros. "Por que no resseguro ainda temos uma empresa na qual o governo tem golden share e participação de 11,7%? Por que nossa maior seguradora é o Estado, com seguro de crédito à exportação, seguros rurais, de acidente de trabalho, auxílio-doença, dentre outros seguros?", indagou, afirmando que é necessário reduzir a participação do Estado. "Precisamos de mais Brasil e menos Brasília."
Solange disse ainda que acredita no trabalho conjunto do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Susep para o aprimoramento do mercado de capitais. Outro ponto realçado por ela foi a tecnologia como ferramenta para eficiência financeira e operacional. "Temos uma revolução em curso. As insurtechs aparecem como uma nova forma de fazer e comercializar seguros. Precisamos acelerar a velocidade de novos produtos no mercado", observou.

Pesquisa CNDL/BC aponta que seis em cada dez brasileiros não se preparam para aposentadoria

Mais da metade dos brasileiros, mais precisamente 59%, admite não se preparar para a aposentadoria, segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Banco Central (BC). Entre os que não fazem qualquer tipo de plano financeiro para a aposentadoria, 36% alegam não sobrar dinheiro no orçamento, e 18% atribuem a ausência de um plano ao fato de estarem desempregados. Para 17%, não vale a pena guardar o pouco dinheiro que sobra no fim do mês.
Entre os 41% das pessoas que tomam ações concretas para essa fase da vida - percentual que chega a 55% nas classes A e B -, 42% se preparam por meio de aplicações financeiras.

Do total de entrevistados, 35% afirmam que apenas os recursos do INSS servirão de renda, enquanto 16% dizem que ficarão dependentes de terceiros, como cônjuges, filhos ou outras pessoas da família. Já 37% dos pesquisados disseram que, ao se aposentar, pretendem continuar ativos no mercado de trabalho.

Sem pedágio na saída | Crescimento das plataformas digitais faz com que grandes bancos e seguradoras alterem seu modelo de negócio na previdência aberta

Ao longo do segundo semestre de 2018 os grandes bancos, e também a maior parte das seguradoras, zeraram a taxa de carregamento dos fundos de previdência aberta, espécie de pedágio cobrado dos poupadores ao sacarem os recursos. A medida foi uma resposta ao crescimento das plataformas digitais abertas, que com custos menores e maior diversidade de opções começaram a incomodar as grandes instituições financeiras, que cobravam a taxa desde que se iniciou o modelo da previdência privada no país no início da década de 90.
Na Genial Investimentos, plataforma do grupo Brasil Plural, 90% dos recursos em previdência decorrem de portabilidades oriundas de bancos. O gerente de produtos de vida e previdência da Genial, Bernardo Barboza, afirma que um pré-requisito para que as seguradoras possam incluir seus produtos de previdência na grade de distribuição é que eles não tenham taxa de carregamento. “Temos casos de seguradoras interessadas em distribuir por meio da nossa plataforma, mas ainda aguardam a aprovação da Susep para o lançamento de novos planos que não tenham mais essa taxa”, diz Barboza.
A Genial, que até maio último fazia a distribuição desses produtos somente se o cliente pedisse, de forma passiva e com a taxa de carregamento embutida, estruturou uma nova área voltada especificamente para a previdência e que já captou R$ 120 milhões desde então. A casa trabalha com a estimativa de alcançar a marca dos R$ 500 milhões em previdência em 2019, e Barboza acredita que o crescimento previsto deve continuar sendo liderado pelas portabilidades. “O mercado de previdência privada ainda é extremamente concentrado, com 95% das reservas nos grandes bancos”, aponta o executivo.
Resgates – A retirada da taxa de carregamento de saída, cobrada no momento em que o investidor saca os recursos, pode representar um risco de mais resgates nos planos de previdência, reconhece o diretor da Bradesco Vida e Previdência, Claudio Leão. Segundo ele, que diz que os níveis de resgates na previdência do banco da Cidade de Deus já estão em patamares acima do desejável (não revela valores), “o importante é destacar que o nível de resgates se deve também ao tamanho da nossa carteira, que soma R$ 227,3 bilhões em previdência, representando crescimento de 6,2% em 2018”.
Leão comenta que o banco tem promovido um trabalho de aproximação junto aos clientes com o objetivo de identificar e diferenciar de maneira mais clara os recursos com foco no longo prazo, que devem de fato ficar em produtos de previdência, e aqueles que podem vir a ser necessitados no curto prazo e portanto deveriam ser direcionados a outros veículos de investimento mais adequados.
“A provável retomada econômica, prevista para 2019, a depender das reformas de ajuste fiscal, deve ser outro fator a contribuir para a redução no nível de resgates”, afirma o diretor da instituição financeira. Ele lembra que durante a recessão, mesmo clientes com bom planejamento financeiro se viram forçados a retirar recursos de seus planos de previdência devido ao desemprego.

Sob controle – Já na Brasilprev, os níveis de resgates chegaram a aproximadamente 9,5%, considerada a base de ativos da empresa, contra a média de 11,5% do mercado. Segundo o superintendente de produtos da empresa, Sandro Bonfim, “a retirada da taxa de saída não gerou um aumento dos resgates nos nossos planos”.
Ainda de acordo com ele, “com a retirada da barreira de saída as empresas que atuam na previdência aberta terão de reforçar seus canais de vendas e de atendimento para evitar um crescimento dos saques”.
O superintendente da Brasilprev vê o movimento de redução das taxas de carregamento como uma evolução natural de um mercado em amadurecimento. “Se voltarmos para o início da previdência privada no país, na década de 90, os planos tradicionais tinham taxas de carregamento de 9%. Gradativamente o mercado foi ganhando escala, os produtos foram se modernizando, e as taxas reduzidas”.
Bonfim reconhece, contudo, que foi o aumento da concorrência, seja entre os grandes bancos ou com o advento das plataformas digitais abertas, o mais importante indutor da redução das taxas ao consumidor. “As plataformas vêm encontrando seu nicho de atuação, e acho muito saudável para o mercado ter cada vez mais opções”.
Na Brasilprev, as taxas de carregamento pré (incidindo na entrada, sobre cada aporte realizado) e pós (incidindo na saída, sobre os resgates realizados) dos planos empresariais instituídos já haviam sido abolidas há alguns anos, e a partir de 2013 a pré foi retirada para os planos individuais, permanecendo apenas a pós que, em setembro, foi descontinuada.
A taxa de saída da Brasilprev girava ao redor dos 5% (ela incidia apenas sobre o valor aportado e não sobre os ganhos obtidos no mercado), e deixava de ser cobrada num prazo entre três e nove anos a depender do segmento do cliente. “O participante com visão de longo prazo já não pagava, ou pagava muito pouco de carregamento. Foi um movimento interessante da indústria dentro de um processo de disputa natural do mercado”, nota Bonfim.
Pelo fato da base de clientes da Brasilprev já ter um perfil mais voltado para o longo prazo, o superintendente afirma que a retirada da taxa não terá impacto relevante em termos de perda de receita para a empresa.

Novo modelo – O Bradesco zerou a taxa de carregamento de saída na mesma época que seus pares do mercado, e cerca de um ano depois de ter deixado de cobrar a taxa de carregamento de entrada. A taxa de carregamento na entrada era cobrada para subsidiar os encargos dos corretores que comercializavam os produtos de previdência do banco.
Em 2017, o Bradesco alterou sua forma de distribuição de previdência, que passou a não contar mais com os corretores. Hoje os clientes interessados em veículos dessa natureza o fazem pela rede de agências, por telefone ou internet banking. “Temos buscado uma desmaterialização do processo de venda de produtos de previdência, tendência que acredito que deve crescer bastante nos próximos anos”, afirma Leão, ilustrando o movimento dos grandes bancos para enfrentar a concorrência crescente das plataformas abertas digitais.
Outra mudança na área de previdência do Bradesco, que tem como intuito tentar reter por mais tempo os clientes em sua base, foi começar neste ano a ofertar produtos de gestoras independentes. Essa oferta, no entanto, no momento é restrita ao público de alta renda, que na avaliação do banco é o que tem melhores condições para discernir de maneira adequada os riscos embutidos.
Na Guide, onde as portabilidades também representam cerca de 90% da base de ativos em fundos previdência, a estratégia adotada para ganhar eventuais clientes insatisfeitos dos bancos é baixar os tickets de entrada para fundos de gestores independentes. “Temos fundos de previdência com entrada a partir de R$ 500,00 ou R$ 1.000,00 com movimentações mínimas de R$ 200,00”, diz o gestor da Guide, Erick Hood. A plataforma, controlada pelo grupo chinês Fosun, iniciou a oferta de produtos de previdência em 2015 já sem a cobrança da taxa de carregamento.

Captação – No Santander, o ritmo mensal de captação em previdência dobrou após a retirada da taxa de carregamento, que passou de aproximadamente R$ 400 milhões em setembro para cerca de R$ 800 milhões em outubro. Segundo o head de previdência, Victor Bernardes, a taxa de carregamento de saída era uma forma de educar o poupador da importância de ter um horizonte de longo prazo para esse tipo de aplicação.
“No entanto, ao percebermos que havia uma percepção de que a taxa, mais do que educativa, acabava sendo punitiva, optamos por retirá-la”, afirma Bernardes. De acordo com ele, também foi levado em consideração o fato de que, em muitos casos, os saques eram efetuados para realizar a portabilidade para outros planos. “Não nos pareceu justo que o cliente, em busca de melhores alternativas para seus recursos dentro do mercado de previdência, ficasse amarrado por uma multa”.
A taxa de carregamento de saída no Santander era por volta de 4% sobre o valor aportado, sendo decrescente no tempo. A partir do terceiro ou quarto ano de permanência o cliente passava a ser isento da taxa.
Bernardes diz que a isenção da taxa de saída não gerou aumento nos saques dos clientes, uma vez que eles não têm mais que pagar nenhuma multa ao fazê-lo. “O volume de saques mensal, entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões, continuou estável em relação aos meses anteriores”. Segundo o executivo, o volume de saídas se deve menos à estratégia comercial do banco e mais ao tamanho da carteira consolidada de previdência, que no caso do Santander caminha para a marca dos R$ 45 bilhões ao final de 2018.
Por conta do aumento da concorrência, o Santander perdeu market share na previdência privada nos últimos anos, onde já teve cerca de 10% e hoje tem aproximadamente 6%. Para tentar recuperar o espaço perdido, a instituição financeira tem investido em seus canais de atendimento e na contratação de pessoal, com 15 novos profissionais de venda tendo chegado ao banco ao longo de 2018. O próprio Bernardes está na casa há pouco mais de um ano, tendo sido anteriormente responsável pela área de vida e previdência na Sul América.
O crescimento do Santander na área de previdência está próximo de 13% na comparação de 2018 com o ano passado. É um ritmo que Bernardes considera bom, diante das turbulências do ano que teve a greve dos caminhoneiros e também as incertezas eleitorais.
O ritmo de expansão do Santander está alinhado com o desempenho da indústria, que cresceu 10,5% em 2018 até setembro, totalizando R$ 806,5 bilhões em ativos, com uma captação líquida de R$ 8,1 bilhões, segundo os dados mais recentes da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). Os planos VGBL respondem por 77,5% das reservas e os PGBL po 18,1%. Outros planos, que não são mais comercializados, respondem pelos 4,4% restantes.

Modelo 3 2 1 – Já na Icatu, a expansão na área de previdência está em ritmo bastante superior à média do mercado, na casa dos 30%, chegando a um estoque de R$ 21 bilhões. O diretor da seguradora, Sérgio Prates, credita o incremento ao modelo de arquitetura aberta adotado nos últimos anos, que dá ao cliente a liberdade para fazer a seleção do produto preferido com base em uma ampla gama de opções. “Temos colhido os frutos da estratégia de ter uma oferta adequada aos vários perfis de clientes”, afirma Prates. Ele lembra que em 2018 a Icatu incluiu, em média, uma nova gestora de recursos por mês em sua grade. Atualmente, são disponibiliados cerca de 200 fundos de previdência de aproximadamente 60 gestores na plataforma.
A taxa de carregamento de saída na Icatu seguia o modelo 3 2 1 - 3% de taxa para saída no primeiro ano, 2% no segundo ano, e 1% no terceiro, com isenção a partir do quarto ano. “Esse modelo era uma forma de fazer o cliente refletir sobre o objetivo do investimento, já que se o foco fosse no curto prazo a previdência não seria o mais adequado”, afirma o diretor. “No entanto, a maior parte dos nossos clientes de previdência sempre fica mais de três anos, e quando eles fazem uma transferência interna dentre os nossos fundos também não cobrávamos. Até por isso já tínhamos uma visão favorável a não ter essa taxa de saída, e quando o mercado começou a retirá-la fizemos o mesmo”.

Funpresp-Jud reduz carregamento

Além da previdência aberta, também a fechada começa a aderir ao movimento de redução da taxa de carregamento. A Funpresp-Jud, que iniciou suas operações no final de 2012, anunciou em dezembro a redução da taxa de carregamento de 7% para 6% sobre a contribuição normal para 2019. A decisão, que vale tanto para o participante quanto para o patrocinador, foi anunciada após aprovação de seu conselho deliberativo para ser implementada a partir de abril do ano que vem. Além da previdência aberta, também a fechada começa a aderir ao movimento de redução da taxa de carregamento. A Funpresp-Jud, que iniciou suas operações no final de 2012, anunciou em dezembro a redução da taxa de carregamento de 7% para 6% sobre a contribuição normal para 2019. A decisão, que vale tanto para o participante quanto para o patrocinador, foi anunciada após aprovação de seu conselho deliberativo para ser implementada a partir de abril do ano que vem. 
De acordo com a entidade fechada de previdência complementar, a adoção da medida foi possível devido ao número expressivo de adesões em 2018, em grande parte motivadas pela migração de mais de 3,2 mil novos participantes, o que elevou o número total de inscritos no plano de benefícios da entidade para aproximadamente 14,5 mil participantes. 
Com o aumento da arrecadação, as receitas do fundo de pensão ficaram maiores que as despesas. Dessa forma, o ponto de equilíbrio da entidade foi alcançado em 2018, o que possibilitou a decisão do conselho pela redução da taxa de carregamento a partir de 1º de abril, quando entra em vigor o plano de custeio para 2019.

Apesar de queda na arrecadação, Brasilprev está otimista com 2019

A Brasilprev encerrou outubro de 2018 com R$ 254 bilhões em patrimônio e uma arrecadação de R$ 27 bilhões em seus planos, números que tiveram, respectivamente, aumento de 10% e queda de 19% em relação ao ano anterior. O aumento do patrimônio ocorreu de maneira menos acelerada em relação aos anos anteriores, muito devido ao ano conturbado de 2018, explica o presidente da Brasilprev, Marco Barros, em encontro com jornalistas realizado na última quarta-feira, 12 de dezembro, em São paulo. “Este ano foi extremamente complexo, com Copa do Mundo, greve dos caminhoneiros, que alterou o cenário econômico do país, além do processo eleitoral e suas incertezas, o que trouxe volatilidade ao mercado”, disse Barros.

Já para 2019, a perspectiva é que o crescimento seja retomado. “Devemos voltar a ter um crescimento semelhante ao de outros anos. Com a expectativa da reforma da previdência ser aprovada já no primeiro semestre, o setor está otimista”, destacou o presidente da Brasilprev. Ele disse ainda que independente do texto que for aprovado, é essencial que a reforma seja colocada em pauta o quanto antes, pois a questão fiscal do país precisa ser equacionada.

Questionado sobre a possibilidade do novo governo de Jair Bolsonaro e sua equipe econômica unificar os órgãos de fiscalização da previdência aberta e fechada, Susep e Previc, Marco Barros diz que as discussões ainda são muito iniciais e que não há previsão de como isso pode ocorrer. “Estamos acompanhando, mas sem grandes perspectivas sobre o tema”, ressaltou.

Planos empresariais - Presente na ocasião, o superintendente de produtos da Brasilprev,  Sandro Bonfim, disse que o ano de 2018 também não foi muito positivo para os planos empresariais, que ainda representam somente 20% dos planos da Brasilprev. “Além das empresas de lucro real não terem incentivo fiscal para contratarem esse tipo de plano, muitas das que possuíam planos com a gente acabaram interrompendo o contrato por conta dos custos em um ano complicado. Mas com a retomada da economia em 2019, esperamos que essas empresas voltem com seus contratos”, destacou Bonfim. Ele disse ainda que há um projeto de lei arquivado que visa dar incentivo fiscal às empresas de lucro presumido para contratarem esse tipo de plano, e a expectativa é poder retomar as discussões desse projeto o quanto antes. O crescimento desses planos em outubro deste ano foi de apenas 3% em comparação com 2017.

Empréstimos e parcerias - Sandro Bonfim destacou que a expectativa para o próximo ano é que alguns assuntos importantes para o sistema de previdência aberta sejam encaminhados, entre eles a possibilidade de oferecer empréstimos aos participantes. “Hoje, as entidades abertas não podem oferecer esse tipo de serviço, pois para entregar empréstimo, a seguradora tem que se utilizar de seu próprio capital. Teria que haver um ajuste para permitir o empréstimo como forma de investimento da própria carteira, assim como ocorre com os fundos de pensão”, disse Bonfim.

Em termos de investimentos, a Brasilprev não descarta a possibilidade de fazer parcerias com outros gestões para complementar a grade de produtos oferecida. Porém, essa é uma discussão ainda muito inicial, de acordo com o superintendente de investimentos, Flavio Manzoni. “Para fazer parceria com gestor independente, deve haver cautela. Não é fácil sem antes conhecer bem quem está do outro lado. Não vamos nos atrever a qualquer gestor”, ressaltou.