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Genial reverte corretagem para ações de combate ao coronavírus

A Genial, plataforma eletrônica de investimentos do Grupo Plural (ex-Brasil Plural), vai reverter toda a receita líquida de corretagem desta semana (16 a 20 de março) para ações de combate ao coronavírus. Os recursos serão doados para a Fundação Amor Horizontal (FAH), ONG que oferece apoio e cuidados para milhares de crianças em projetos sociais parceiros.

 

A FAH conta com mais de 50 ONGs parceiras cadastradas e certificadas pelo selo de qualidade do padrão de projetos desenvolvidos. Os recursos que serão entregues pela Genial serão utilizados em duas iniciativas: a doação de cestas básicas com alimentos e produtos de higiene como sabonete, álcool gel e desinfetante; doações de produtos e equipamentos para os projetos Hospital Cruz Verde e Nosso Sonho, referências no atendimento a pacientes, crianças e adultos, com paralisia cerebral.

Eles vendem no automático | Profissionais experientes comandam as novas empresas de distribuição de fundos de gestores independentes junto aos investidores institucionais

As empresas de distribuição de fundos para o mercado de institucionais, que deram seus primeiros passos no mercado nacional há pouco mais de uma década, já contam com quase uma dezena de casas especializadas em oferecer produtos aos fundos de pensão e Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). “É um caminho sem volta”, comenta o sócio-fundador da Venko Investimentos, Adolfo Daniel Alviço Junior.
Essas empresas operam no sistema de agentes autônomos de investimento, regulamentado pela Instrução 497 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de junho de 2011. Entre as primeiras distribuidoras a marcar presença nesse mercado estão a Venko, que distribui entre outros produtos o fundo Verde, da Verde Asset, a Itajubá, do ex-Icatu Carlos Garcia, e a Fidus, dos ex-Itaú Pedro Vellardo e Ricardo Maggi. “As distribuidoras autônomas já têm seu lugar ao sol, como ocorre há tempos no exterior”, resume Alviço.
Além dessas distribuidoras mais antigas, uma leva de novos nomes têm surgido nos últimos tempos. A Gruppo Investimentos é uma delas, tendo alçado voo em agosto de 2017 pelas mãos de Roberto Pitta e seus sócios Marcos Oliveira e Heitor de Souza Lima. Com escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo, o negócio teve como origem o trabalho desenvolvido por Pitta, a partir de 2009, como agente autônomo exclusivo da asset GAP Prudential, que segundo ele teria gerado negócios da ordem de R$ 1,2 bilhão para a gestora. “Nosso foco de atuação são os fundos de pensão. No momento, trabalhamos com 17 fundações”, diz Pitta.
O cardápio da distribuidora é composto por fundos de quatro gestoras: renda variável, da paulista Constância Investimentos; multimercados de crédito, da goiana TG Core; fundos de investimento em direitos creditórios (FDICs), da Sul Brasil Asset; e multimercados diversificados, da Vista Capital. “Todos queriam ter acesso ou intensificar negócios com institucionais. Foram casamentos rápidos”, conta Pitta, que planeja reforçar a rede de gestores. “Estamos conversando com outras quatro gestoras independentes.”
Segundo Pitta, que antes de distribuir os fundos da GAP Prudential foi diretor comercial da Mellon, a Gruppo já trouxe cerca de R$ 200 milhões aos fundos que representa nesse primeiro ano de vida. Os próximos meses, acredita Pitta, prometem ser ainda melhores. “Estamos participando de cinco licitações de fundos de pensão, quatro relacionadas a fundos de renda variável, no valor de R$ 600 milhões. Modéstia à parte, temos chances em todas”, diz ele.

Vinda do varejo – Outra recém-chegada à praia dos distribuidores independentes é a carioca Way Investimentos, que surgiu em 2008, às vésperas da crise financeira internacional, mas só se lançou ao mercado, de fato, em 2015. A opção inicial foi pelo varejo, por meio de uma parceria com a XP, mas os investidores institucionais já estavam no radar dos sócios-fundadores, André Meireles e Marcus Moreira, desde a década passada. Afinal, a família de Marcus Moreira é controladora da CMCorp Soluções, empresa de software criada em 2005 para desenvolver sistemas de gestão para entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs), entre outros clientes.
“Decidimos atuar como distribuidores junto aos fundos de pensão no segundo semestre de 2016, logo que retornamos do Congresso da Abrapp, em Florianópolis. A estreia oficial ocorreu em janeiro de 2017”, conta Meireles, que mantém relações com EFPCs desde o início da sua carreira no mercado de capitais, nos anos 1980.
Os resultados não tardaram a surgir. A Way realizou a sua transação inaugural em setembro de 2017 e já contabiliza a captação de cerca de R$ 600 milhões para os gestores atendidos. A relação começou a ser constituída com a Adam Capital e a Sparta e conta hoje com mais três nomes de gestores no portfólio: Leblon Equities, Moat Capital e a DLM Invista. A grade de produtos é igualmente enxuta, incluindo fundos multimercados, de renda fixa e duas opções de fundos de ações, uma de viés fundamentalista e outra mais arrojada. “Não pretendemos trabalhar com muitas gestoras. Estabelecemos critérios rigorosos de escolha, privilegiando assets independentes voltadas às demandas do nosso público-alvo”, diz Meireles.
Fiéis à sua expertise, ele e Moreira dão total prioridade ao segmento de previdência fechada em suas ações comerciais, estratégia que contempla participações constantes em eventos do setor. Além de cerca de 20 clientes fixos, outras 40 EFPCs são regularmente contatadas pelos sócios e seu time, que preparam uma expansão em um novo escritório na Barra da Tijuca, a quatro quilômetros da sede atual. “Os fundos de pensão também estão atentos à desbancarização. O potencial do mercado institucional para novos players, gestores e distribuidores, é grande”, observa Meireles.
Estreante no nicho, a Método Investimentos tem uma trajetória semelhante à da Way. Criada em 2005, ela sempre se dedicou à distribuição de fundos para pessoas físicas e, a exemplo da sua concorrente carioca, aderiu à XP. O ingresso na faixa institucional se deu por meio de uma parceria que começou a ser costurada há pouco mais de ano pelo seu sócio Daniley Rodrigues com a Kondor Invest para a distribuição dos produtos da gestora aos institucionais.
As negociações resultaram na nomeação da Método, em agosto último, como responsável pela distribuição de um dos três fundos da recém-criada Navi Capital, nova razão social da Kondor Equities, antigo braço de renda variável da Kondor Invest, que acaba de ganhar autonomia definitiva. Os outros dois fundos da parceira, um long&short e outro long only, continuam com distribuição própria. A Método segmentou suas operações de varejo, nicho no qual contabiliza negócios da ordem de R$ 400 milhões, das voltadas aos institucionais, que serão comandadas por José Ricardo Menezes, ex-executivo da Kondor. Com 28 anos de atuação no mercado de institucionais, Menezes acumula passagens anteriores pelo Bank Boston, Banco Votorantim e Sul América Investimentos.
“O trabalho está 100% concentrado em fundos de pensão privados e públicos. A ideia é apresentá-los e aproximá-los dos gestores da Navi Capital”, resume Menezes, que ostenta em seu currículo negócios de aproximadamente R$ 200 milhões ao mercado institucional. Além do corpo a corpo com as fundações de previdência, a Método espera ampliar o portfólio de gestores representado para oferecer também fundos multimercados, de crédito e de investimento no exterior. “Vamos buscar novas parcerias com opções de estratégias diferentes para investidores institucionais. Já estamos conversando com algumas assets”, revela Menezes.

As mais antigas – A Venko tem como um de seus maiores trunfos o fundo Verde, da Verde Asset comandada por Luis Stuhlberger. Pilotada por Adolfo Daniel Alviço Junior e Oswaldo de Carvalho Vasconcelos, que se conheceram na Bradesco Asset Management (Bram), a distribuidora impõe algumas condições aos gestores parceiros – todos ele, diga-se de passagem, cumpridos também pela Verde. “Exigimos gestão ativa, experiência com institucionais e, sobretudo, aportes dos acionistas nos fundos da casa, condição que é muito valorizada no exterior e permite alinhamento de interesses entre investidores e gestores”, comenta Alviço. “Além disso, não trabalhamos com gestoras que oferecem bônus por performances, pois a tendência dessas equipes, tão logo atingem suas metas anuais, é relaxar. Queremos gente com o pé firme no acelerador o tempo todo.”
Totalmente dedicada a EFPCs, dos quais já obteve mandatos de R$ 550 milhões, a Venko soma 25 clientes espalhados por todo o território nacional. Por conta disso, mantém escritórios em São Paulo, com Adolfo e Vasconcelos, Rio de Janeiro, sob o comando de Antônio Jorge Vasconcelos, ex-diretor-superintendente da Previma, e Belo Horizonte, chefiado por Lauro Araújo, que acumula passagens por JP Morgan, Lloyd’s Asset Management, Luz Soluções Financeiras e Mercer. Hoje operando apenas com a Verde Asset e a Capitânia, a distribuidora está em negociações avançadas com outras duas gestoras, uma nova e outra mais conhecida, com o objetivo de reforçar o seu portfólio de produtos. “Somos bem criteriosos nas escolhas, pois nossos parceiros têm de desenvolver, por vezes, fundos sob medida para fundações de previdência. Foi exatamente dessa forma, a partir da demanda apresentada por um cliente, que a Capitânia criou, há dois anos, o REIT FIC FIM CP, que investe em cotas de fundos imobiliários”, conta Vasconcelos.
Já a Fidus Invest é comandada por Pedro Donizete Velardo e Ricardo Maggi, ambos egressos da Itaú Asset Management, que abriram a casa em 2009 para distribuir fundos geridos pela Credit Suisse Hedging-Griffo. “O cenário do Brasil era bem distinto do atual. A estabilidade e o crescimento econômicos faziam crer que o país caminhava a passos largos rumo ao primeiro mundo”, lembra Maggi. “A previsão, todos sabem, não se confirmou. Mas o objetivo ao qual nos propomos segue na ordem do dia, pois muitas das novas assets, em particular as independentes, não dispõem de estruturas próprias de distribuição.”
Com uma captação total ao redor de R$ 700 milhões, a Fidus opera com três gestoras: Indosuez Wealth Management, do grupo francês Credit Agricole, Perfin Investimentos e Indie Capital. Sua grade apresenta três opções de fundos de ações, incluindo um long and short, três de crédito e um de papéis públicos e privados. “Uma das novidades é o CA Indosuez Avant Garde, baseado em títulos de crédito privado e cotas de fundos de direitos creditórios”, diz Maggi. Além dos fundos de pensão a distribuidora atende também outros públicos. “Também atendemos seguradoras, resseguradoras, operadoras de saúde e RPPSs. Todas elas, afinal, perseguem o mesmo objetivo: rentabilizar ativos para fazer frente a passivos de médio e longo prazos.”

Pioneira – A Itajubá Investimentos é a mais antiga e a pioneira nesse mercado. Criada em 2007 por Carlos Garcia e Agnaldo Andrade, a empresa foi uma das primeiras a distribuir fundos de assets independentes junto aos institucionais. “Trouxemos para o Brasil um modelo consagrado no exterior”, conta Garcia, que deixou a vice-presidência comercial da Icatu Hartford Seguros, na qual militava desde 1986, para se lançar à empreitada. “Embora a proposta fosse nova para o mercado local, percebemos que havia boa abertura dos investidores institucionais aos distribuidores independentes, pois estes têm liberdade de escolha dos produtos e não têm de cumprir metas de vendas.”
Para a escolha dos gestores, a Itajubá toma por base os critérios estabelecidos por David F. Swensen, responsável pela carteira da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, que soma US$ 27 bilhões e cresce a uma taxa média de 13,5% ao ano desde 1985. O processo de seleção inclui um questionário com 300 perguntas sobre a gestão de ativos e entrevistas com todos os integrantes das equipes da asset. Hoje, os parceiros somam cerca de dez nomes, entre os quais Ibiuna, M Square Global, M Square Brasil, Jardim Botânico, HIX Capital, Brasil Capital e três pesos pesados norte-americanos: Neuberger Berman, Oak Tree Capital e Arcadian. “Nossa grade é bem diversificada, não necessita de grandes ajustes. Pensamos, no entanto, em agregar novos gestores de fundos imobiliários, área que começa a receber forte demanda em razão da Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional”, comenta Garcia.
A parceria com gestores estrangeiros acabou por abrir as portas da América Latina à Itajubá. A expansão internacional começou há cinco anos e contempla operações em três países – Chile, Peru e Colômbia –, que respondem por pouco menos de dois terços dos R$ 30 bilhões já distribuídas pela empresa. Os próximos mercados a serem abordados serão Argentina e México. “A operação mexicana, que será baseada em fundos de private equity, tem grande potencial. A legislação local foi alterada recentemente, abrindo espaço para aplicações de desenho mais moderno”, observa Garcia.
No Brasil, acredita o distribuidor, gestores e distribuidores autônomos continuarão a ganhar espaço. Sua previsão toma por base a elevada dívida interna bruta, ao redor de 80% do PIB, que tende a contribuir para a manutenção da taxa básica de juros em patamares reduzidos. “Qualquer que seja o vencedor da eleição presidencial, ele terá pequena margem de manobra em relação à política monetária”, comenta o sócio-fundador da Itajubá. “O mercado tende a reduzir aplicações em renda fixa e a buscar outros ativos, o que abre ótimas perspectivas para instituições mais arrojadas, sem vínculos com o sistema tradicional.”