Grandes querem ter voto de mais peso

José de Souza

Edição 247

Proposta apresentada no Conselho Deliberativo da Abrapp propõe mais peso ao voto das maiores.

A campanha para sucessão do presi-dente da Abrapp, José de Souza Mendonça, já está em andamento. Seu mandato termina só no final deste ano, mas as articulações para definir nomes e chapas com vistas às eleições que devem acontecer cerca de um mês antes do fim do mandato já começam a ser feitas. Poderão resultar num reagrupamento dos campos que se colocaram em lados opostos seis anos atrás e se enfrentariam novamente na próxima eleição. Um indício disso é a proposta apresentada na última reunião do Conselho Deliberativo da Abrapp pelo secretário-geral da Funcef, Geraldo Aparecido, sugerindo mudanças nas normas eleitorais. A principal mudança é em relação ao peso eleitoral de cada fundação. Hoje, cada entidade tem direito a um voto no colégio eleitoral, independente do seu tamanho. A proposta da Funcef é de aumentar o peso eleitoral das fundações maiores.

Embora encaminhada pelo representante da Funcef, a proposta conta com o respaldo das outras grandes. Para Mendonça, se aprovada, a proposta desfiguraria a Abrapp. Ele teme que, com um peso maior no colégio eleitoral, as grandes poderiam manter-se indefinidamente na direção da entidade. Promete colocar a proposta em discussão na próxima reunião do Conselho, mas adianta que sua posição e da diretoria executiva é contrária. A interlocutores, Aparecido tem explicado que o modelo que propõe não busca uma proporcionalidade total, tão danosa ao sistema como a paridade total. O modelo buscado seria algo intermediário, com um piso e um teto eleitoral que evitasse tanto a super-representatividade das pequenas quanto a sub-representatividade das grandes.

Seria um modelo equivalente ao que vigora no Congresso Nacional, onde os estados mais populosos elegem um número maior de deputados mas limitados a um teto de 70 e os estados menos populosos elegem um número menor mas garantindo um mínimo de 8 deputados. A Abrapp poderia usar essa estrutura como modelo, obviamente adotando pisos e tetos diferentes e baseados em discussões internas da entidade. 

Conselhos - Além desse ponto, a proposta do representante da Funcef também altera a forma de escolha dos membros dos Conselhos deliberativo e fiscal da Abrapp, que hoje acontece pelo voto em candidatos individuais e não em chapas. Cada fundação vota em 25 nomes e os candidatos mais votados compõem os dois Conselhos. Com isso, o grupo predominante consegue eleger a totalidade dos conselheiros, negando qualquer representação à minoria. A proposta apresentada por Aparecido é que as eleições para o Conselho sejam feitas através do voto em chapas, compondo-se então os Conselhos com representantes indicados pelas chapas, na proporcionalidade dos votos obtidos por cada uma. 

Nomes - Além das normas eleitorais, há um outro tema que começa a tomar conta das discussões. Trata-se da intenção do ex-presidente Fernando Pimentel de candidatar-se à sucessão de Mendonça. Atual presidente do Conselho Deliberativo, Pimentel estaria buscando apoios para montar uma chapa a ser encabeçada por ele. Mendonça disse que, pessoalmente, ainda não tem uma posição tomada a respeito de nenhuma candidatura, até porque “formalmente ninguém apresentou nomes até agora”. Segundo ele, vários já disseram “não quero” mas nenhum disse explicitamente “eu quero”.

Mendonça vai ser, na verdade, o grande eleitor desse processo eleitoral. Tendo chegado à direção da Abrapp como uma solução de acomodação, depois da impugnação da candidatura de Pimentel que há seis anos tentou mudar o estatuto para conseguir um terceiro mandato, sua gestão tinha tudo para ser esvaziada. Mas, adotando uma postura de diálogo, conseguiu aparar arestas com a oposição, integrá-la às atividades da entidade e pacificar a Abrapp. Esse feito rendeu-lhe, três anos atrás, a reeleição para um segundo mandato, sem oposição.

Ele não ignora que foi sua capacidade de dialogar que tornou isso possível. Embora haja rumores de que poderia apoiar a chapa de Pimentel, isso ainda não é certo. “Tenho ouvido várias possibilidades em relação a nomes, mas por enquanto não estou fechado com ninguém”, afirmou. “Além do que, acho cedo para começar a se falar de nomes, a colocação desse debate agora só esvaziaria o final da minha gestão”.