Tim vai para Icatu

Fabio BerbelCarlos Tejeda

Edição 247

Com patrimônio de R$ 270 milhões, planos de benefícios da Tim migram do fundo multipatrocinado do HSBC para o Icatu - por Alexandre Sammogini.

A Tim está mudando a administração de seis planos de benefícios, que acumulam recursos da ordem de R$ 270 milhões. Os planos eram administrados desde 2006 pelo HSBC e agora estão migrando para o Icatu Fundo Multipatrocinado (FMP). O processo de transferência foi aprovado pela Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) no final de fevereiro passado e a migração de fato está prevista para o final de maio próximo. “É o maior negócio que fizemos até hoje com nosso fundo multipatrocinado. Também será nosso maior cliente”, diz Carlos Tejeda, diretor superintendente do Icatu FMP.

O Icatu ficará responsável pela gestão do passivo dos planos, enquanto os recursos serão terceirizados para novos gestores. Até agora, a gestão era realizada exclusivamente pelo HSBC, mas com a mudança, serão contratadas duas ou mais assets. O desenho da nova política de investimentos e o processo de seleção ainda não foram definidos e devem avançar a partir do segundo semestre deste ano.Os planos da Tim eram administrados pelo HSBC, mas anteriormente faziam parte da Sistel. O fundo de pensão administrava os planos do antigo sistema Telebrás. Com a privatização, uma parte das patrocinadoras da Sistel migrou para outros fundos. Empresas como a Vivo, Telefonica, Telemar, entre outras, constituíram entidades próprias. Mas a Tim resolveu transferir os planos para um fundo multipatrocinado. Em 2006, acabou selecionando o HSBC.“Na época foi avaliado que os planos da Tim não tinham volume suficiente para manter uma entidade própria. Por isso, a empresa decidiu migrar para um fundo multipatrocinado”, conta o consultor da Tim, Fábio Vilela Berbel. Advogado do escritório Bichara, Barata e Costa, ele foi o responsável pelo condução do processo de avaliação e seleção do novo administrador que culminou com a escolha do Icatu.Para os novos funcionários, a Tim decidiu oferecer, na época, um plano aberto de previdência, administrado pelo Itaú, ao mesmo tempo, que fechou os antigos planos para novas adesões. Dos seis planos que vieram da Sistel, dois são de benefício definido, dois de contribuição definida e um de contribuição variável. Cinco deles são patrocinados pela Tim Celular e um deles, pela Intelig – que foi comprada pela Tim em 2009. A Intelig já possuía um plano de benefícios administrado, por coincidência, pelo fundo multipatrocinado do HSBC. O plano da Intelig tem cerca de R$ 40 milhões, e o da Tim Celular, R$ 230 milhões.

Migração – Os planos da Tim e da Intelig ficaram com o HSBC durante seis anos – desde 2006 até agora. Mas a partir de 2011, o grupo começou a procurar um outro multipatrocinado para administrar os planos. O consultor da Tim, Fábio Berbel, conta que a operadora de celular queria uma empresa de previdência que tivesse maior foco na gestão do passivo. “A Tim estava satisfeita com a gestão dos ativos, porém, queria reforçar a administração do passivo e o atendimento ao conjunto de participantes, que é formado em grande parte por aposentados que vieram do antigo sistema Telebrás”, conta Berbel.O processo de avaliação começou ainda em 2011 e levou mais de um ano para ser concluído. Foram avaliados seis fundos multipatrocinados. “A prioridade era um administrador que tivesse melhor estrutura e expertise para atender os participantes e realizar os pagamentos dos benefícios. A empresa não estava tão preocupada com a gestão dos recursos, porque os planos estavam e continuam superavitários”, diz o consultor. Outro ponto importante era que o novo fundo não tivesse um custo administrativo mais alto que o anterior.O Icatu foi selecionado justamente por apresentar, na avaliação da consultoria, maior expertise e foco na gestão de passivo. Além disso, permitiu a redução do custo administrativo do plano em cerca de 20% - caiu de 1,5% para 1,2%. Um outro fator considerado como vantagem do novo administrador é a possibilidade de diversificação na gestão dos recursos. “O novo administrador oferece ainda a vantagem de selecionar outros gestores que não sejam do próprio grupo financeiro”, diz Berbel. Ele reforça, porém, a ideia que a gestão dos ativos não foi o motivo central para a mudança, mas sim a administração do passivo.Os participantes dos planos da Tim contam com a presença de aposentados que vieram do sistema Telebrás. São pessoas que conhecem bem o sistema de previdência complementar e possuem acesso às informações sobre os planos. “É um grupo de aposentados com bastante informação e alto grau de exigência. Precisávamos de um atendimento exclusivo para este grupo”, conta Berbel. Ele explica que o mais importante era oferecer um canal de atendimento com profissionais qualificados para resolver os possíveis problemas e dúvidas dos participantes. “Se o canal de atendimento não resolve os problemas, os participantes acabam procurando o setor de recursos humanos da empresa, o que pode gerar algumas dificuldades”, conta o consultor.Ele explica ainda que desde o início do processo de seleção não foram avaliados os fundos multipatrocinados ligados a estatais, como por exemplo, a Petros, ou de ex-estatais, como a Fundação Cesp. “São fundos de pensão muito grandes, com planos de benefícios de grande porte. Acredito que a Tim não contaria com um canal exclusivo de atendimento”, diz Berbel. Outra hipótese descartada desde o início foi a transferência dos planos para uma empresa de previdência aberta. A mudança seria mais complicada pois teria que contar com a discussão e anuência dos participantes, que estão acostumados com o formato de um plano fechado de previdência complementaUma discussão que deve ser realizada com os participantes, agora que contam com a administração do Icatu, é a unificação dos seis planos de benefícios. Existe uma intenção de unificar todos os planos em um único, da modalidade de contribuição definida. “A unificação de todos os planos elimina as diferenças de regras e dificuldades de gestão para a patrocinadora. Mas ainda temos que discutir e esclarecer os participantes para avançar com a mudança”, diz o consultor. Ele ressalta que a prioridade atual é realizar a migração da gestão do passivo para o novo fundo e, em um segundo momento, será realizada as mudanças na gestão dos ativos. Já a unificação dos planos não tem previsão de data.

 

Exigências do órgão regulador incentivam migrações.

O fundo do Icatu acumula atualmente R$ 1,15 bilhão de patrimônio, com 49 patrocinadoras. A entidade administra planos para 30 mil participantes ativos e 1,7 mil assistidos. A migração dos planos da Tim representa um aumento imediato de 23% do patrimônio do fundo. “Estamos verificando aumento da quantidade de concorrências e processos de transferência de empresas que possuem fundos de pensão próprios e também de algumas que desejam mudar de multipatrocinado, como é o caso da Tim”, comenta Carlos Tejeda, do Icatu. Ele diz que tem mais dois planos de benefícios em processo de transferência para o Icatu – um deles com patrimônio da ordem de R$ 300 milhões e outro, de R$ 150 milhões.

Um dos fatores que incentivam as migrações é o aumento da fiscalização e exigências impostas pela Previc e demais órgãos reguladores. Para agravar a situação, existe também o aumento da responsabilização dos dirigentes dos fundos de pensão. Como os profissionais geralmente fazem parte do quadro das patrocinadoras, as empresas estão preferindo terceirizar a administração do plano para os multipatrocinados, segundo o executivo do Icatu. “As empresas não querem desviar o foco de seus negócios principais, por isso, tendem a terceirizar a gestão dos planos de benefícios”, diz Carlos Tejeda.

Se concretizadas as migrações para o Icatu, o fundo deve terminar 2013 com patrimônio acima de R$ 2 bilhões. Atualmente, o maior fundo multipatrocinado ligado a bancos ou seguradoras é o do HSBC, com patrimônio de cerca de R$ 5,4 bilhões. A perda dos planos da Tim Celular e da Intelig representam redução entre 4% a 5% do patrimônio do fundo do HSBC, que por sua vez, também tem recebido a migração de planos e reservas de outros fundos de pensão. Em 2012 foram quatro novos clientes e, em 2013, são esperadas novas transferências.