Funpresp vai lançar perfis de investimento
A entidade promoveu licitações para a escolha dos fundos que servirão de base aos seus perfis de investimentos

Os gestores externos estão em alta na Funpresp, a fundação de previdência dos servidores públicos federais. A entidade, que já conta com cinco assets à frente de fundos multimercados exclusivos da casa, somando R$ 761 milhões em ativos, concluiu em dezembro último as licitações de 15 fundos abertos que servirão de base para o lançamento de seu modelo de perfis de investimento, em 1º de janeiro. O processo teve início em 19 novembro, com a habilitação de seis fundos de renda fixa – três prefixados de longo prazo e três de curto prazo atrelados a índices de inflação – e três de ações, sendo dois em moeda local e um em moeda estrangeira. Dos nove fundos habilitados, três são do Itaú, dois do Santander, dois da Votorantim, um do BNP Paribas e mais um do Bradesco.
“Nossa intenção era ter liquidado a fatura em novembro, mas nenhum dos fundos de inflação longa, atrelados ao IMA-B 5+, atendeu aos pré-requisitos estabelecidos e, além disso, ficaram faltando três fundos de ações, dois em moedas externas e um em moeda local. Acreditamos, contudo, que as vagas existentes serão preenchidas no pregão presencial marcado para 17 de dezembro”, comenta o diretor de investimentos da Funpresp, Tiago Nunes de Freitas Dahdah.

Perfis de investimento – Desenvolvidos com o apoio das consultorias InBehaviour Lab e Luz Previdência, além do departamento de ciência da computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), responsável pela plataforma eletrônica que será oferecida aos 91,7 mil participantes, os perfis da Funpresp seguirão o conceito de ciclo de vida. O modelo prevê a distribuição do público atendido pela entidade em quatro grupos etários que terão seus recursos aplicados, em diferentes dosagens, em duas carteiras: a Performance, com maior exposição ao risco; e a Preservação, conservadora. “À medida que os participantes envelhecerem, suas aplicações na Preservação irão aumentando gradualmente de 55% para até 100%”, explica Dahdah.
O ciclo de vida entrou em pauta assim que começaram os primeiros estudos para a implantação dos perfis, em 2013, quando a entidade somava apenas três anos de atividade. Depois de conferir referências domésticas e internacionais na área – casos dos projetos do equivalente estado-unidense da Funpresp, o Thrift Savings Plan, que contabiliza cerca de US$ 560 bilhões em ativos e 5,5 milhões de participantes, da PreviBayer e da Vexty, sucessora da antiga Odebrecht Previdência –, a fundação decidiu abraçar de vez essa opção, deixando de lado o padrão estilo de vida, vigente na grande maioria dos planos de complementação de aposentadorias, que deixa as escolhas exclusivamente a critério dos participantes.
“Esse sistema não conta com nenhuma prevenção contra os chamados ‘efeitos manada’, como aconteceu, por sinal, durante a eclosão da crise financeira internacional, em 2008. À época, muitos trabalhadores jovens realizaram prejuízos ao optarem, sem qualquer orientação, por perfis de viés superconservador, indicados para pessoas de maior idade”, observa Dahdah.
Os participantes da Funpresp poderão decidir o que fazer com os seus pés de meia. A fundação, no entanto, pretende seguir à risca o papel de provedora de educação financeira e previdenciária. Se, por hipótese, um servidor público federal de 40 anos decidir migrar para um perfil mais conservador, com perspectivas de rentabilidade mais reduzidas, será alertado, com o auxílio de projeções e cálculos, de que tal opção terá grandes chances de resultar em benefícios futuros insatisfatórios. “Caso ele não mude de ideia, terá de assinar um termo de ciência de riscos. Só então providenciaremos a mudança de perfil”, observa o executivo.

Gestores externos – Em expansão, por conta da criação dos perfis, o time de gestores externos sofrerá alterações e ganhará reforços em breve. Os multimercados exclusivos seguirão sob os cuidados de BB DTVM, Bradesco, BTG Pactual, Caixa e Western Asset até meados de 2020, quando serão definidos novo mandatos. “A mudança já estava prevista na licitação inicial desses produtos, realizada em meados da década”, diz Dahdah. “A nova licitação, contudo, terá demandas diferentes. A intenção é aumentar a exposição a ativos de risco, como ações, e participar mais ativamente do processo de decisões de investimentos, que antes delegávamos aos gestores.”
Antes mesmo da troca da guarda dos multimercados, ainda no primeiro semestre do próximo ano, a Funpresp espera já ter concluído os procedimentos de escolha de gestores de três fundos exclusivos lastreados em títulos de crédito privado, papéis que hoje detêm uma fatia inferior a 1% na carteira de investimentos, que totaliza R$ 2,22 bilhões. Os passos seguintes serão licitações para a seleção de gestores de fundos de ações de gestão ativa, em moeda nacional e estrangeira, de uma nova leva de multimercados e fundos imobiliários (FIIs).

Funpresp em números
Principais indicadores da entidade
Carteira de investimentos R$ 2,2 bilhões
Gestão própria R$ 1,35 bilhão
Gestão terceirizada R$ 873,7 milhões
Rentabilidade no ano* 9,42%
Contribuições** R$ 118,7 milhões
Patrocinadores 184
Participantes ativos 91.701
Beneficiários e assistidos 106
* entre janeiro e novembro. ** em novembro. Fonte: Funpresp


“No front externo só consideramos a hipótese de investir em ações, pois a renda fixa no mercado internacional é muito complexa”, assinala Dahdah. “Com a evolução da estrutura e dos controles internos da entidade, talvez, um dia, chegue a hora de aplicarmos em renda fixa fora do Brasil. Agora, entretanto, não dá, nem mesmo por meio de gestores externos.”
O processo de diversificação em curso tende, a médio prazo, a colocar em mãos de terceiros a aplicação da maior parcela dos recursos da entidade e, também, a reduzir fortemente a concentração do portfólio em títulos públicos federais. A política de investimento do plano ExecPrev até 2023, por exemplo, prevê um encolhimento de 31,26 pontos percentuais, para 65%, na fatia hoje detida por esses papéis. “O desafio será grande para todo o sistema fechado de previdência complementar, que se acostumou com a fartura da renda fixa. Estamos, no entanto, muito confiantes na reestruturação das nossas carteiras”, diz o executivo.