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Eletrobras terá nova entidade
Consolidação das cinco fundações patrocinadas pela Eletrobras numa nova fundação está avançando sob a coordenação da consultoria Mercer

Edição 366

Barros,ArmandoPereira(Fachesf) 24mai(AndreaRegoBarros)Os cinco fundos de pensão patrocinados pela Eletrobras, empresa que foi privatizada em meados de 2022, estão começando a discutir um processo de fusão nos mesmos moldes daquele seguido seis anos atrás pela Neós, fundação criada para consolidar numa única entidade a Faelba, Celpos e Fasern, todas patrocinadas pelo grupo Neoenergia. O processo de fusão das entidades patrocinadas pela Eletrobras está sendo assessorado pela Mercer e a idéia é criar uma sexta fundação para consolidar a Real Grandeza, Fachesf, Eletros, Previnorte e Elos.
“Desde a época do Wilson (Pinto Ferreira Júnior), ex-presidente da Eletrobras, que se fala nessa consolidação, mas agora esse processo está avançando com a Mercer na coordenação”, conta o presidente da Fachesf, Armando José Pereira de Barros. “Mas essa não foi a primeira opção, a princípio a intenção era mudar internamente as fundações, mas esse projeto foi deixado prá trás e o que está sendo tocado agora é a criação de uma nova fundação que consolide as cinco entidades”.
Segundo Barros, o processo não é simples pois envolve fundações com portes e históricos diferentes. Enquanto algumas são patrocinadas apenas pela Eletrobras, como é o caso da Fachesf, outras têm patrocínio de companhias externas, como é o caso da Real Grandeza, patrocinada também pela estatal Eletronuclear, e da Previnorte, que tem o patrocínio também das privadas Amazonas Energia e Roraima Energia. A Eletros tem o patrocínio também do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), além das prefeituras dos municípios de Canoas (RS) e Sorocaba (SP), enquanto a Elos tem o patrocínio também da Engie, que está em processo de migração para sua fundação própria.
“A Mercer está entrevistando os diretores de todas as cinco fundações, para entender como operam, quais são seus desafios, suas dificuldades”, explica Barros. “Ainda não estamos no ponto de discutir a governança da nova entidade, mas vamos caminhando bem”.
As dificuldades de coordenar esse processo devem-se também aos diferentes portes das entidades. A carteira de investimentos da Real Grandeza somava R$ 18,4 bilhões ao final do ano passado, a da Fachesf R$ 8,6 bilhões, a da Eletros R$ 5,5 bilhões, a da Previnorte R$ 4,6 bilhões e a da Elos R$ 4,2 bilhões. Numa conta rápida, sem considerar que algumas patrocinadoras externas podem eventualmente optar por ficar fora desse processo, a carteira consolidada das cinco seria de R$ 41,3 bilhões, o que a colocaria como a quarta maior entidade do sistema, atrás apenas de Previ, Petros e Funcef.
Outra dificuldade desse processo está nos planos de saúde que possuem. Enquanto Eletros, Previnorte e Elos optaram há anos por segregar seus planos de saúde das suas entidades previdenciárias, Real Grandeza fez uma cisão apenas parcial e Fachesf optou por manter as duas estruturas sob o mesmo CNPJ (ver box). “São situações diferentes, que agora na consolidação, precisam ser equacionadas”, diz Barros.
A fusão das três fundações patrocinadas pela Neoenergia na Néos, iniciada em 2018, embora eventualmente possa ser vista como uma referência por consolidar entidades que em consequência de programas de privatização do setor elétrico passaram a ter uma patrocinadora única, são diferentes em vários aspectos. O primeiro deles é o porte das entidades. Enquanto uma fusão das cinco entidades sob patrocínio da Eletrobrás formaria, teoricamente, uma nova fundação com carteira de investimentos de R$ 41,3 bilhões segundo os dados de dezembro de 2023, a Neós tinha nesse mesmo período uma carteira de R$ 3,7 bilhões. Em termos de participantes, a nova entidade nasceria com 16,6 mil ativos e 53 mil assistidos, enquanto a Néos possui 11,3 mil ativos e 31 mil assistidos.
“E mesmo com todas essas diferenças, veja quanto tempo eles demoraram para concluir esse processo”, diz Barros. Na verdade, o processo da Néos continua, pois em meados do ano passado a fundação iniciou a incorporação de uma quarta fundação, a Faceb, que também passou a ter a Neoenergia patrocinadora após a Companhia Energética de Brasília (CEB) ter sido adquirida pela mesma em leilão de privatização ocorrido no final de 2020.

Investimentos - Da carteira de investimentos de R$ 8,6 bilhões que a Fachesf mantinha em dezembro do ano passado, cerca de 22% estavam no CD Benefícios a Conceder (BAC), 23% no CD Benefícios Concedidos (BCO), 29,5% no BD e 19% no BS. Os demais recursos estavam aplicados no PGA, RealizaPrev (instituído) e Fachesf-Saúde. A rentabilidade de 2023 do BAC foi de 15,73%, do BCO 15,20%, superando a meta de 9,76% de ambos. Já o BD rendeu 14,96% enquanto o BS alcançou 12,37%, ambos acima da meta de 9,33%.
De acordo com o presidente da entidade, a entidade está voltada, no momento, a diminuir os riscos da carteira através da imunização dos seus passivos. “Neste ano, estamos focando bastante em ativos do IMA-B5, mas mantendo uma boa posição de Caixa.

Fachesf Saúde e Evida buscam novos patrocínios
A Fachesf Saúde e a Evida, essa última responsável pelo plano de saúde da Eletronorte, já discutem o estatuto da nova operadora de saúde que estão formando para atender basicamente aos assistidos e agregados de ambas. Mas também estão conversando com as outras patrocinadoras dos planos de saúde da Eletrobras em busca de uma união mais ampla que permita agregar seus assistidos, uma vez que por decisão da Eletrobras os participantes ativos serão migrados para os planos de saúde privada do Bradesco e Unimed.
A Evida, assim como os planos de saúde da Eletros e da Elos, já funciona de forma segregada em relação aos planos previdenciários da sua entidade. Já o plano de saúde da Fachesf ainda é integrado à entidade, mas está em processo de separação. E a Real Granzeza avançou bastante no processo de cisão mas, de acordo com o presidente da Fachesf, Armando José Pereira de Barros, ainda não o concluiu. A fusão de todos eles num novo plano de saúde depende da finalização dessas cisões.
“Estamos conversando com todos, no sentido de fazer um plano só”, explica Barros. De acordo com ele, na hipótese de todos aderirem o novo plano de saúde sairia inicialmente com uma massa de 53 mil assistidos, além dos participantes ativos das patrocinadoras não ligadas à Eletrobras, como a Eletronuclear que patrocina a Real Grandeza, a Amazonas Energia e a Roraima Energia que patrocinam a Previnorte, e a ONS e EPE que patrocinam a Eletros. Por conta dessa população inicialmente mais madura, cujas despesas médicas são maiores, uma das prioridades é a busca de novos patrocinadores que possam agregar participantes mais jovens.
Pelo regulamento da Agência Nacional da Saúde (ANS), a autarquia que cuida do setor de saúde, os planos de autogestão só podem agregar novas empresas patrocinadoras se forem do mesmo segmento econômico. Portanto, o novo plano da Evida e Fachesf deverá necessariamente pescar no aquário do setor elétrico.
Segundo Barros, o novo plano vai mudar de nome, deixando de chamar-se Evida, e fazer vários ajustes em sua estrutura. Em primeiro lugar, fundir numa só as várias diretorias de RH, de administração, financeiras etc. “Vamos conseguir um grande ganho de escala importante com as fusões das diretorias”, explica Barros. “Além disso, vamos aprimorar a questão do atendimento mais automatizado e investir fortemente em TI”.
Mas, além de medidas para cortar custos, o novo plano vai ter que buscar novos patrocinadores entre as empresas elétricas. “Já estamos em conversas bem adiantadas com duas empresas”, adianta Barros, sem especificá-las. Mas, pelas regras da ANS, deverão ser do setor elétrico.