Mainnav

Aposta em NTN-B longas
Embora apostando na estratégia de títulos de longo prazo para estabilizar a carteira, o instituto não descuida do segmento de renda variável

Edição 366

Rosa,Laydianne(Guarujaprev) 24mai 01O instituto de previdência dos servidores do Guarujá, a GuarujáPrev, aproveitou uma abertura forte da curva de juros para ampliar a participação das NTN-Bs em sua carteira de investimento. “A gente viu uma oportunidade no nosso ALM (Asset Liability Management) de usar o dinheiro novo que estava entrando para comprar papéis de 2045 e 2046”, conta a presidente do comitê de investimentos do instituto, Laydianne Rosa.
Os recursos vão compor a carteira do fundo previdenciário do instituto, que representa 75% de um patrimônio total de R$ 1,28 bilhão. Outros 24% estão no fundo financeiro, voltado ao pagamento dos aposentados e prazo de aplicação mais curto, embora nem tanto, pois os aposentados do GuarujaPrev são ainda relativamente poucos, apenas 640 em um contingente de mais de 5 mil servidores do município.
A decisão de apostar em títulos de vencimento longo, segundo Rosa, é parte da estratégia de marcar esses papéis na curva, levando-os a vencimento. “A gente não pretende tirar antes da data final”, afirma. Atualmente, o instituto tem cerca de 83,5% do seu fundo previdenciário alocado em renda fixa, dos quais 58% estão em NTN-Bs, 8% em fundos de títulos públicos, 17% em fundos de renda fixa e 0,5% em crédito privado.
Além disso, tem 6,74% em fundos de ações, 4,90% em investimentos no exterior, dos quais 0,66% são Brazilian Depositary Receipts (BDR), e 2,82% em multimercados. Tem ainda 0,68% em fundos de participações (FIP), incluindo três teses (shopping, florestas e empresas de crescimento), e 0,66% em um fundo imobiliário.
Apesar de aproveitar a oportunidade criada pela abertura das taxas para ampliar a presença das NTN-Bs na carteira, a GuarujáPrev segue de perto também a renda variável. Segundo Rosa, assim que as taxas de juros baixarem a bolsa torna-se mais atraente, principalmente porque “está barata”. Mas, segundo ela, apesar de barata a bolsa “está sofrendo”. Ela conta que os fundos de renda variável do instituto também “estão sofrendo” por conta do desempenho da bolsa, prejudicando a rentabilidade do instituto.
A rentabilidade consolidada do instituto foi de 0,18% em abril e de 2,20% no acumulado deste ano, abaixo da sua meta atuarial de 1,05% no mês e 3,55% no ano (IPCA +5,25%). Segundo a presidente do comitê de investimentos, o mau desempenho da bolsa em 2024 tem pressionado para baixo os resultados do RPPS. “Se a Bolsa não subir, vamos continuar sofrendo e não vamos conseguir atingir a meta atuarial no fim do ano, que é nosso objetivo.”

Exterior - Mas não é só a bolsa brasileira que tem trazido decepções para a GuarujáPrev. Também os investimentos no exterior, que são basicamente fundos de ações globais, estão desapontando. “Apesar de termos apenas 4,90% em exterior, essa aplicação tem prejudicado bastante nossa rentabilidade. O que está segurando um pouco nossa rentabilidade são as aplicações em títulos marcados na curva”, afirma.
Segundo ela, ao contrário da renda variável os títulos longos marcados na curva dão a segurança que o fundo precisa para cumprir a meta atuarial, minimizando, inclusive, perdas causadas por investimentos em outras frentes, como em fundos de renda variável local e exterior.
Apesar dos resultados desfavoráveis da renda variável, o comitê de investimentos vem analisando com atenção as perspectivas para a bolsa num cenário de queda dos juros. “Apesar de sermos cobrados no curto prazo, nossos investimentos precisam refletir estratégias de longo prazo, então não podemos deixar de acompanhar a bolsa para entrar quando ela melhorar um pouco”, diz Rosa. “Queremos entrar, mas sem aumentar a volatilidade da nossa carteira”, diz.
Segundo ela, “o momento ideal para entrar na bolsa seria agora, quando os papéis estão em baixa, as empresas estão desvalorizadas, mas temos esse empecilho da nossa meta de curto prazo. E quando se fala em Bolsa, precisa olhar em longo prazo”, analisa.

Composição do comitê - O comitê de investimentos do instituto é composto por sete pessoas, das quais cinco votam para alocar ou desalocar e duas têm o poder de vetar as decisões. Quem vota não veta e quem veta não vota. Segundo Rosa, essa estrutura dá mais independência ao comitê.
Ela conta que recentemente um fundo de renda variável estava dando um resultado abaixo do esperado e os membros votantes do comitê decidiram desalocar do mesmo. Mas, como a bolsa está muito volátil, os membros com poder de veto foram medir o VAR do fundo e viram que era muito alto, poderia trazer prejuízo para a entidade, então vetaram a venda naquele momento e esperaram um momento de menor volatilidade para realizar a operação.