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Estratégia é marcar os títulos na curva
Com 70% da sua carteira formada por títulos marcados na curva, o instituto fechou o ano passada com rentabilidade acima da meta atuarial

Edição 366

Carlos,Andreson(Reciprev) 24maiEm meio a um cenário econômico desafiador, com a queda das taxas de juros obrigando os investidores a tomarem mais risco em busca de mais rentabilidade, o regime próprio dos servidores municipais de Recife (Reciprev) segue confiando no seu planejamento de alocações. Instituído em dezembro de 2001, o RPPS da capital pernambucana aloca atualmente 70% do seu portfólio em renda fixa, marcando tudo na curva.
Especificamente, são aproximadamente 60% em títulos públicos e quase 10% em letras financeiras do Bradesco, com as duas aplicações marcadas na curva. Além disso, o instituto tem outros 10% aplicado em fundos de renda fixa e mais 20% em fundos de ações.
No ano passado, a rentabilidade do instituto foi de 11,81%, superando a sua meta atuarial de 9,93% (IPCA +5,15%). Neste ano, até abril, a rentabilidade acumulada é 1,125%, abaixo da meta. “A gente está sofrendo junto com o mercado, com a volatilidade desse ano. Em 2023, conseguimos rentabilidade boa, bater a meta. Esse ano, a gente vem tendo dificuldades”, explica o gerente-geral de Investimentos da Autarquia, Andreson Carlos Gomes de Oliveira. “Mas seguimos nos posicionando para uma queda na taxa de juros.”
Com um patrimônio de cerca de R$ 3,4 bilhões, o Reciprev é o 15º maior RPPS do Brasil e o maior do Nordeste em valor patrimonial. “Como o patrimônio é grande, qualquer retorno positivo em cima desse montante é relevante. Além disso, com as contribuições dos associados e o pagamento de cupons, junto com a parte de renda fixa marcada na curva, a gente acaba tendo boa remuneração”, relata Carlos. Atualmente, o instituto conta com quase 20 mil servidores ativos.
O dirigente esclarece que uma mudança na legislação ocorrida em 2018, permitindo que os RPPSs passassem a marcar títulos públicos na curva e não apenas a mercado, foi fundamental para a montagem da carteira de investimentos. “A partir daí, iniciamos uma corrida para decidir o que fazer. A gente já tinha títulos públicos marcados a mercado, comprados anteriormente, que representavam entre 8% e 10% da carteira. Fizemos um estudo longo, demoramos para trazer essa clareza à diretoria e ao conselho, mas depois que isso aconteceu passamos a comprar títulos marcados na curva. Até aqueles que tínhamos marcado a mercado passamos para marcação na curva.”
Atualmente, com 70% da carteira formada por títulos marcados na curva, o instituto está posicionado para correr mais risco no resto da carteira. “A gente está bem posicionado com essa marcação, até porque ela nos dá o conforto de correr maiores riscos naqueles 20% de fundos de ações” afirma Oliveira.

Pequenas mudanças - Além de manter as alocações em títulos marcados na curva, o Reciprev tem feito algumas movimentações em decorrência da queda da taxa de juros. “Estamos alongando nosso percentual de títulos públicos, saindo do IMA B, do IMA B5, e comprando o IMA B5+, posicionando para a queda dos juros”, conta Oliveira.
Segundo ele, o planejamento da Reciprev passa pela confiança de que as taxas não sustentarão um patamar tão elevado. E quando houver a queda, o instituto precisará estar preparado. “A expectativa é a mesma, já se alongou demais o prazo de queda das taxas de juros. Quando caírem, vai ser bom tanto para nossa parte marcada ao mercado quanto na parte de investimento de ações.”
Outra possibilidade de alocação analisada pelo instituto é em fundos de investimento no exterior, mas as condições, ao menos momentaneamente, desencorajam. “Estamos de acordo com o discurso do mercado de que o preço do mercado de renda variável interna está bastante depreciado, diferente do investimento exterior, onde a gente não tem posição. Estamos cogitando entrar, mas o que está impedindo é o preço, que já está bastante elevado lá.”
Mas o RPPS tem uma rota alternativa no caso do BC resolver abrandar ou interromper o movimento de queda dos juros que ocorre desde meados do ano passado. Isso tornou-se bastante provável depois que o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual em sua última reunião, de 8 de maio, ao invés de 0,50 pp que vinha adotando há seis reuniões. “Nesse caso, poderemos ter uma alteração estrutural e pensar em um novo trajeto para o ano que vem”, considera Oliveira.
“Mas cerca de 10% da nossa carteira é de liquidez imediata, e boa parte disso já está no CDI. Então, a gente não teria problema em um momento no qual precisássemos dessa liquidez. Nosso cálculo atuarial nos dá bastante conforto em relação a isso.”

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