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Daycoval usa robôs em trabalho noturno
O banco da família Dayan vem investindo desde 2019 na sua área de serviços ao mercado de capitais e um dos seus objetivos são os institucionais

Edição 344

O Daycoval, tradicional banco paulista voltado à fornecimento de crédito ao middle market, está ampliando sua base de atuação e investindo na área de serviços ao mercado de capitais, que inclui administração fiduciária, custódia, controladoria e escrituração. A rigor, o banco já possuía essa área há anos, mas ela era voltada basicamente à atender suas necessidades internas e de alguns poucos clientes próximos, mas desde 2019 ela ganhou relevância nas atividades do banco da família Dayan que começou a mirar no público externo, composto por gestores de fundos de investimento e fundos de pensão.
Para dirigir a área o banco contratou Erick Carvalho, um executivo com passagens pelas diretorias do Citi e Santander, dois peso-pesados em administração e custódia. Desde 2019, quando o executivo chegou ao banco, até agora, a área aumentou o volume de ativos sob serviço de R$ 6 bilhões para cerca de R$ 65 bilhões, e o número de fundos de 60 para cerca de 600. De acordo com Carvalho, o objetivo é ultrapassar a marca dos R$ 100 bilhões ainda neste ano ou início do ano que vem.
Ele sabe que a competição não é fácil, pois trata-se de uma área onde competem grandes players, globais ou locais, fortemente qualificados para responder pela integridade das operações e das ordens dadas, assim como pela guarda do dinheiro dos clientes. “O banco tem vários atributos que o credenciam a buscar um lugar nesse mercado, temos 53 anos de solidez, agilidade na tomada de decisões e investimentos pesados em tecnologia e pessoas, dois pontos importantes na área de serviços ao mercado de capitais”, afirma Carvalho.
A aposta do banco está na área de tecnologia, capaz de fazer a diferença para os clientes de assets e fundos de pensão. A área de serviços do Daycoval tem um batalhão de 136 robôs, que varam a noite trabalhando, analisando as operações em busca de eventuais inconsistências que reportam on-time aos gestores e pela manhã aos profissionais da casa, quando esses chegam para trabalhar. “Apenas robôs trabalham no nosso turno da noite”, diz Carvalho. Segundo ele, até agosto deste ano, 95% de todo o trabalho de processamento será feito por robôs, apenas 5% continuarão dependendo do trabalho humano. ‘Esses 5% são uma cauda de mercado que não vemos possibilidade de automatizar no momento”, diz.
Carvalho acredita que o uso de robôs traz um grande nível de confiabilidade e rapidez para as operações, pois podem checar mais rapidamente e sem falhas as operações. Além disso, a utilização de robôs traz escala para a área, algo que é fundamental para a rentabilidade do negócio, uma vez que valor cobrado pelos serviços é baixo. Apesar disso, a área não petende dispensar ou minimizar o elemento humano. “O processamento é feito pelos robôs, mas o contato com os clientes é feito por pessoas”, diz. A área possui uma equipe de 56 pessoas dedicada ao relacionamento com os clientes.

Embora o foco esteja principalmente no mercado local, a área de serviços para o mercado de capitais do Daycoval atende também investidores estrangeiros. Dos R$ 65 bilhões sob serviços cerca de 10% são de clientes estrangeiros, afirma Carvalho.
Os fundos de pensão também figuram na lista de clientes atendidos pela área de serviços do Daycoval. O primeiro cliente desse segmento contratou a casa no final do ano passado, uma fundação de R$ 1,5 bilhão em reservas, que contratou primeiramente a gestão da asset e em seguida a área de serviços. Segundo Carvalho, a tendência é ampliar o relacionamento com esse segmento, uma vez que a asset já possui várias fundações como clientes.
A oportunidade, segundo ele, virá da prática dos fundos de pensão de revisar, a cada cinco anos, seus contratos com o mercado de serviços. “Estamos investindo na melhoria contínua de nossas rotinas e procedimentos, queremos ampliar nossa presença junto às fundações”.