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Faculdade de direito da USP lança endowment Sempre Sanfran

Barbara RosembergSempre SanFranFoi lançado na última quinta-feira (17/02) o fundo Sempre Sanfran, endowment criado por ex-alunos e docentes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco da USP para investir em projetos estratégicos de melhoria da qualidade de ensino, da equidade de acesso e da infraestrutura da instituição, assim como da preservação do seu patrimônio cultural, histórico e artístico. O fundo será constituído por doações de pessoas físicas, principalmente advogados formados pela faculdade, ou empresas, geralmente relacionadas às áreas do direito. No sábado, dois dias após o lançamento, o fundo já contava com R$ 14 milhões em doações feitas por 79 doadores.
Endowments ligados à instituições de ensino funcionam como uma forma dos doadores, pessoas físicas ou jurídicas, retribuírem pela formação ou conhecimentos recebidos da mesma. Os rendimentos do fundo patrimonial, formado pelas doações, são utilizados para sustentar investimentos em projetos ligados à instituição. Um dos primeiros endowments do Brasil, criado por ex-alunos de engenharia da Escola Politécnica de São Paulo, o Amigos da Poli, tem o objetivo de “desenvolver o potencial dos alunos da Poli-USP, contribuindo com a excelência de sua formação”, informa o seu portal na internet. Criado em 2011, o fundo tinha R$ 39 milhões em patrimônio ao final de 2021. O CEO da Verde Asset, Luis Stuhlberger, integra o comitê de investimentos do fundo.
Também ligado à USP, o fundo Sempre FEA, voltado a apoiar alunos e atividades da Faculdade de Economia e Administração da USP, nasceu em 2020 e acumulava em dezembro do ano passado um patrimônio de R$ 6,7 milhões. Na Unicamp, dois endowments foram lançados em 2020, o Lumina e o Patronos, com o segundo registrando patrimônio de R$ 1,5 milhão ao final de 2021. O economista Otávio Canuto, ex diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-vice-presidente do Banco Mundial (Bird), integra seu comitê de investimentos. Entidades de ensino como as universidades federais do Rio de Janeiro, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, além da PUC do Rio de Janeiro, também possuem fundos patrimoniais.
Os endowments norte-americanos são bem mais antigos que os nossos e famosos pelo volume de recursos que manejam. O da Universidade de Harvard, criado em 1974, fechou o ano fiscal de 2021 com patrimônio de US 52 bilhões. No mesmo período, o fundo de Yale tinha US$ 42 bilhões e o de Stanford US$ 37,8 bilhões.
Dos R$ 14 milhões de doações ao fundo Sempre Sanfran, apenas uma parte não especificada é patrimônio integralizado, o restante são compromissos dos doadores com aportes a serem feitos ao longo dos próximos cinco anos. As modalidades de doação prevêm que as contribuições podem ser feitas à vista ou divididas ao longo de até cinco anos.
O estatuto Sempre Sanfran prevê um Conselho Administrativo formado por nove membros, dos quais três compõem Comitê de Investimentos. A presidência do Conselho é exercida por Bárbara Rosenberg, conselheira indicada pelo diretor da faculdade, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto.
“Tem valor muito especial poder retribuir à Faculdade as tantas oportunidades que ela proporciona aos que passaram pelo Largo São Francisco. Estamos muito entusiasmados com os projetos de pesquisa e extensão, de infraestrutura e de inclusão que o Fundo poderá viabilizar", afirma a advogada Bárbara Rosenberg.